A guerra contra o Irã já está em seu quinto mês de duração, com muitos se perguntando quando ela vai terminar e em quais circunstâncias.

Para Mike Pompeo, ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, só há uma resposta possível: a vitória americana. Mas isso não significa atingir o objetivo inicial traçado pelo governo de Donald Trump, de derrubar o regime iraniano.

“Não se trata de mudança de regime. O objetivo é garantir a livre passagem de mercadorias por uma rota internacional e impedir que um regime teocrático, que há décadas matou centenas de cidadãos americanos, continue tendo capacidade para ameaçar o mundo”, disse ele ao NeoFeed e a um grupo de jornalistas na sexta-feira, 24 de julho, nos bastidores da Expert XP.

Para Pompeo, a prioridade é restabelecer a capacidade de dissuasão, impedir que o Irã continue ameaçando o comércio internacional e proteger os aliados dos Estados Unidos. Ele argumentou que o Ocidente precisa manter pressão econômica e militar sobre Teerã até que o regime mude de comportamento, pelo tempo que for necessário.

“Eles enxergam isso [fechar o Estreito de Ormuz] como um importante ponto de alavancagem, e não é possível ter energia barata sem reabrir o estreito para o trânsito marítimo. E o regime iraniano, a Guarda Revolucionária e as pessoas que estão no comando hoje não vão permitir que isso aconteça até serem derrotados.”

Sobre outro conflito armado que vem pressionando os mercados, a guerra entre Rússia e Ucrânia, Pompeo evitou fazer previsões sobre um eventual acordo de paz. Ele elogiou a resistência ucraniana e disse que o país demonstrou que democracias conseguem enfrentar governos autoritários.

Na avaliação do ex-secretário de Estado, o presidente russo, Vladimir Putin, enfrenta uma economia cada vez mais pressionada e começa a sofrer ataques militares dentro do próprio território. Mas isso não significa que esteja pronto para ceder.

“Não posso dizer se Putin algum dia aceitará um acordo. Já lhe foram oferecidos dois acordos muito melhores do que aquele que provavelmente conseguirá no futuro”, afirmou.

Em relação à guerra comercial travada pelo governo Trump, ele não comentou especificamente os motivos que levaram os Estados Unidos a impor tarifas ao Brasil, mas afirmou que as taxas de importação fazem parte de uma estratégia mais ampla para recuperar e proteger a economia americana.

Embora tenha demonstrado alinhamento com os objetivos da ofensiva dos Estados Unidos contra o Irã, Pompeo não fez o mesmo em relação à política comercial. “Se depender de mim, apoio tarifa zero e barreiras não tarifárias zero.”

Acompanhe os principais trechos da entrevista

Com o Irã, a única resposta é vencer
[A guerra] só termina quando o regime iraniano for derrotado. O presidente Trump falou disso desde o início. Ele falou em rendição. É possível ver que os iranianos não vão fazer o que é necessário, que é abrir mão do seu programa nuclear e permitir a livre passagem de mercadorias pelo estreito. Eles enxergam isso como um importante ponto de alavancagem, e não é possível ter energia barata sem reabrir o estreito para o trânsito marítimo. E o regime iraniano, a Guarda Revolucionária (IRGC) e as pessoas que estão no comando hoje não vão permitir que isso aconteça até serem derrotados. Acho que o presidente Trump passou a entender isso. Ele tentou negociar. Tentou oferecer aos iranianos o que, na minha opinião, era um acordo até generoso demais. Mas eles rejeitaram. Enquanto estiverem tentando controlar o estreito e matando cidadãos americanos, a única resposta é vencer.

Prioridade é restabelecer a capacidade de dissuasão
É possível [vencer]. Esse é o fracasso da mentalidade e da imaginação ocidentais. As pessoas pensam que estamos fadados a perder e que simplesmente desistimos quando as coisas ficam difíceis. Não. Nós devemos vencer. O que é preciso para vencer? Faz-se o que for necessário para vencer. Não se trata de mudança de regime. O objetivo é garantir a livre passagem de mercadorias por uma rota internacional e impedir que um regime teocrático, que há décadas matou centenas de cidadãos americanos, continue tendo capacidade para ameaçar o mundo. Veja o que acontece hoje: eles estão lançando mísseis contra seus próprios irmãos muçulmanos. Não estão disparando foguetes contra Israel porque têm medo. Esse é o modelo da dissuasão. Israel conseguiu dissuadir o regime iraniano. Todos nós, o Ocidente, precisamos restaurar essa capacidade de dissuasão.

Prefiro tarifas zero
Eu tenho uma opinião diferente, mas acredito que o governo esteja tentando construir um modelo no qual a indústria americana continue prosperando e crescendo. O presidente e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer — que é uma excelente pessoa — entendem que existe um componente de segurança nacional em manter a capacidade de produzir dentro dos Estados Unidos e estão usando as tarifas como uma das ferramentas para isso. Na minha visão — e acredito que seja isso que a administração busca —, as tarifas devem ser usadas como um instrumento para convencer nossos amigos, aliados e parceiros a negociar conosco de forma economicamente justa para todos. Se dependesse de mim, seria tarifa zero e barreiras não tarifárias zero.

Guerra da Ucrânia em aberto
Não há como saber se um acordo será assinado enquanto estamos aqui conversando ou se isso só acontecerá daqui a cinco anos. Não tenho como responder. O que os ucranianos demonstraram é que nações que defendem direitos humanos básicos e a dignidade das pessoas são fundamentalmente diferentes de agentes do mal, como Vladimir Putin. E aqueles que defendem esses valores conseguem, sim, mudar o rumo dos acontecimentos. Putin consegue perceber que sua economia está sob pressão. Consegue ver que as coisas estão começando a explodir dentro do próprio país. Não posso dizer se Vladimir Putin algum dia aceitará um acordo. Já lhe foram oferecidos dois acordos muito melhores do que aquele que provavelmente conseguirá no futuro. Quanto ao momento em que isso terminará, eu realmente não sei. Mas sei como isso precisa terminar, com a civilização ocidental derrotando o mal.