A Sequoia Logística precisou primeiro encolher para poder pensar em crescer. A companhia deu início ao seu processo de reestruturação financeira e operacional em 2023, abandonou a logística B2C para o e-commerce, vendeu ativos, reduziu estruturas, renegociou passivos e converteu mais de meio bilhão de reais de dívidas em ações.
No segundo trimestre deste ano, a estratégia começa a dar os primeiros resultados para os investidores. Com uma receita líquida de R$ 137,8 milhões no período e uma estrutura diferente daquela que levou a companhia à crise, a Sequoia projeta como voltar a gerar R$ 1 bilhão de receita.
“Se a gente imaginar que a maquininha pode chegar ao mesmo tamanho de cartões de débito e de crédito, estamos falando em praticamente dobrar o potencial de receita desse segmento de objetos bancários”, diz Leopoldo de Bruggen, CEO da Sequoia.
“Estamos falando de uma empresa que facilmente pode atingir R$ 1 bilhão de receita”, completa ele no programa Números Falam, uma produção do NeoFeed em parceria com a CNN Brasil.
O capítulo mais importante da reestruturação financeira aconteceu neste ano. No primeiro semestre, o capital social da Sequoia aumentou R$ 566,6 milhões, principalmente pela conversão mandatória de debêntures em ações.
Para a Sequoia, só a conversão dessas debêntures representou R$ 558,1 milhões — uma operação contábil que reduziu dívida sem entrada equivalente de dinheiro novo no caixa.
Com a conclusão da operação, fundos geridos pela JiveMauá assumiram o controle da Sequoia em fevereiro de 2026. Em julho, já depois do encerramento do segundo trimestre, fundos da própria JiveMauá subscreveram mais R$ 84,3 milhões em uma nova emissão de debêntures da companhia, com vencimento em setembro de 2029.
Até pouco tempo atrás, a Sequoia tinha três grandes frentes: objetos bancários, operações B2B e logística B2C para e-commerce.
O B2C foi encerrado em abril e a empresa colocou o ponto final em um longo período em que arrastava uma operação deficitária pela combinação de falta de escala, competição e verticalização da logística pelos próprios marketplaces.
Os ativos dessa operação foram vendidos ao Mercado Livre em abril. A transação total foi de US$ 7,5 milhões. A Sequoia havia recebido R$ 28,3 milhões até o segundo trimestre e ainda tinha aproximadamente R$ 10 milhões a receber no terceiro.
“Dentro de um cenário de reestruturação, a gente não podia ter uma linha de negócio deficitária pedindo caixa enquanto não tínhamos linha de crédito para fornecer para essa linha”, afirma de Bruggen.
Sem o problema do B2C, a “nova” Sequoia escolheu suas duas avenidas de crescimento. A primeira é o B2B, que cresceu 57,9% no segundo trimestre, para R$ 19,7 milhões. A companhia deixou de operar carga fracionada e passou a se concentrar em contratos de full-truck load e milk run, nos quais é remunerada pelo projeto ou fretamento e não assume o risco de o caminhão viajar cheio ou vazio.
A segunda é a Flash Courier, marca especializada em objetos bancários. Bruggen diz que a operação tem aproximadamente 60% de participação no mercado de entrega de cartões de crédito, débito e maquininhas de pagamento.
Foram 21,2 milhões de entregas de objetos bancários apenas no segundo trimestre. A rede tem 412 franquias e mais de 5 mil entregadores, com atuação em mais de 1.600 cidades.
No segundo trimestre, a geração de caixa operacional foi de R$ 19,1 milhões. Ao mesmo tempo, a companhia destinou R$ 24,2 milhões à redução de passivos de legado, incluindo R$ 2,5 milhões das últimas obrigações de curto prazo previstas no plano de recuperação extrajudicial e R$ 5,6 milhões referentes à primeira parcela da transação com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
“Agora podemos lidar com esse legado de uma forma estruturada, não de uma forma emergencial”, diz Bruggen.
Na B3, a ação SEQL3 é uma penny stock, sendo negociada a R$ 0,07. No ano, ação está em queda de 97,2%. O valor de mercado da companhia é de R$ 382,2 milhões.