A combinação entre uma competição mais acirrada e um cenário macroeconômico adverso está cobrando a conta do crescimento da VTEX, companhia brasileira de tecnologia listada na Bolsa de Nova York.

Essa é a avaliação do Itaú BBA, que rebaixou a recomendação da empresa de compra para neutra. Em relatório enviado a clientes, o banco de investimentos também rebaixou o preço-alvo da ação, de US$ 5 para US$ 4,50.

“O crescimento de curto prazo enfraqueceu em meio à maior concorrência de marketplaces e condições macroeconômicas mais fracas no Brasil e na Argentina, adiando a recuperação da receita que esperávamos no segundo semestre de 2026”, escreveram os analistas do Itaú BBA.

O time do banco aponta que, como reflexo desse contexto, é provável que a VTEX entre em 2027 com uma taxa de crescimento mais baixa, indicando um risco de queda em relação às estimativas de consenso sobre a companhia.

Apesar dessa perspectiva, os analistas reconhecem as “sólidas oportunidades” de crescimento de longo prazo da VTEX, apoiadas por fatores como sua expansão global e no B2B, além dos investimentos contínuos em inteligência artificial (IA) e a tendência de digitalização do varejo na América Latina.

Eles ressaltam, porém, que a avaliação atual da companhia parece precificar uma recuperação de crescimento que pode levar mais tempo para se materializar. “Como resultado, acreditamos que a relação risco-retorno está inclinada para baixo e preferimos esperar por um ponto de entrada mais atraente”.

Como parte do pano de fundo para a atualização, o Itaú BBA observa que os desafios macroeconômicos seguem afetando o consumo no mercado brasileiro, responsável por aproximadamente 58% da receita da companhia.

Esse contexto ganha contornos mais críticos com dados compilados pelo banco que mostram uma desaceleração recente mais acentuada em segmentos como vestuário, móveis e eletrodomésticos, categorias-chave para a VTEX, com uma fatia de cerca de 35% da sua receita em 2025.

“Além disso, a VTEX enfrenta um ambiente competitivo mais desafiador, já que subsídios agressivos de frete e cupons impulsionam ainda mais os ganhos de participação dos principais marketplaces”, destaca outro trecho do relatório.

O banco estima que os três principais players do setor representam agora cerca de 73% do mercado de e-commerce do Brasil, contra 50%, em 2023, o que pode estar contribuindo para tendências mais fracas no segmento do e-commerce D2C (Direct to Consumer), principal mercado da VTEX.

Para os analistas, a VTEX enfrenta um obstáculo adicional em função da composição da sua carteira, com os take rates caindo, uma vez que os clientes maiores, que tendem a ser mais resilientes, mas têm taxas estruturalmente mais baixas, representam uma parcela crescente do seu GMV (Volume Bruto de Mercadorias).

“Consequentemente, a VTEX está experimentando um crescimento mais lento do GMV, juntamente com uma mudança desfavorável na composição de clientes, resultando em dois obstáculos simultâneos ao crescimento da receita”, destacou o Itaú BBA.

Na visão do banco, essas questões provavelmente irão ofuscar a base de comparação mais fácil esperada para o segundo semestre, bem como a tração inicial “encorajadora” dos produtos de IA lançados recentemente.

Esse contexto, de acordo com analistas, traz uma visibilidade limitada sobre o ritmo da recuperação do crescimento até 2027. E a transição para a IT adiciona outra camada de complexidade, já que os clientes podem estender os ciclos de decisão sobre suas necessidades tecnológicas.

Com essa perspectiva de uma manutenção das tendências de crescimento mais desafiadoras no curto prazo, o Itaú BBA reduziu a projeção de crescimento da receita da VTEX para 6,9% em 2027, 5,5% abaixo do consenso.

As ações da VTEX recuavam 1,09% na Bolsa de Nova York por volta das 10h20 (horário local), cotadas a US$ 3,62, avaliando a empresa em US$ 598,5 milhões. Em 2026, os papéis acumulam uma desvalorização de 3,7%.