Depois do “boom”: muitas SPACs sinalizam que não estão bem das pernas

Pelo menos 25 companhias que chegaram ao mercado via empresas de cheque em branco apresentam dúvidas significativas sobre continuidade operacional, segundo a consultoria Audit Analytics

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Principal novidade do mercado de capitais em anos, as Special Purpose Acquisition Companies (SPACs), popularmente conhecidas como empresas de cheque em branco, dominaram as manchetes dos noticiários econômicos nos últimos dois anos. 

Ao captarem recursos no mercado de capitais para fazerem aquisições, esses veículos abriram para investidores a possibilidade de investirem em companhias novas com perspectiva de crescimento acelerado, passando por cima da tradicional burocracia que envolve uma abertura de capital. 

A promessa, porém, começou a mostrar as suas falhas, com muitas das companhias que chegaram ao mercado via SPACs nos últimos anos começando a sinalizar que não são economicamente sustentáveis. 

Levantamento da consultoria Audit Analytics, obtido pelo jornal The Wall Street Journal (WSJ), revela que auditorias feitas em ao menos 25 empresas que se fundiram com SPACs entre 2020 e 2021 sinalizaram “dúvidas significativas” em relação às suas operações. 

Segundo o WSJ, uma empresa que pretende montar uma rede de táxi aéreo, diversas que atuam com carros elétricos e uma companhia de aluguel de patinetes elétricos estão entre aquelas que os auditores avaliaram que terão dificuldades operacionais nos próximos 12 meses. O nome das companhias não foi revelado. 

A quantidade de empresas cujas auditorias têm esse alerta representa 10% das 232 companhias que se uniram a SPACs nos últimos dois anos, segundo a Audit Analytics. É quase o dobro do registrado entre empresas que realizam IPOs tradicionais. 

O fato de uma empresa receber um alerta a respeito de suas perspectivas operacionais não significa que ela está fadada a falir – a maioria inclusive sobrevive. Além disso, muitas empresas que faliram nunca receberam esse tipo de avaliação. 

Mas o alto número de empresas listadas através de SPACs que estão com problemas é o mais recente sinal das situações enfrentadas pelo setor, em que diversas pequenas companhias levantaram milhões de dólares através desse veículo, mas encontram dificuldades para cumprir metas operacionais e financeiras. 

A complexa situação se reflete nas cotações. As ações das companhias que chegaram ao mercado via Spac em 2021 registraram um recuo médio de 59,5% no acumulado do ano até o dia 24 de maio, de acordo com levantamento realizado pelos pesquisadores Minmo Gahng e Jay Ritter, da Universidade da Flórida. 

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