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Negócios

Uma carona pelas ideias do CEO global do Waze

O CEO global do Waze, Noam Bardin, esteve no Brasil para falar sobre o serviço de caronas Carpool e refletiu sobre os desafios da mobilidade, como ganhar dinheiro com seu modelo de negócios e o carro autônomo

 

Noam Bardin, CEO global do Waze

Fundado em 2008, o aplicativo israelense Waze ganhou o mundo ao sugerir trajetos mais rápidos em meio ao trânsito caótico das grandes cidades. E atraiu o interesse do Google, que desembolsou cerca de US$ 1 bilhão, em 2013, para adquirir a empresa.

Com mais de 130 milhões de usuários mensais ativos em todo o mundo, o Waze busca agora consolidar um novo caminho para manter sua relevância como ferramenta de mobilidade urbana. E o roteiro escolhido é o Waze Carpool, aplicativo de caronas lançado inicialmente em Israel e, a partir de 2018, em outros países, como o Brasil.

Maior mercado global do Waze Carpool – foram mais de 2 milhões de caronas desde o lançamento local, em agosto de 2018, o País recebeu, nesta semana, a visita de Noam Bardin, CEO global do Waze, à frente da operação desde 2009.

“O Brasil é, de longe, o nosso maior mercado de caronas. Há uma curva de adoção por aqui que não vemos em outros países”, afirmou Bardin, em conversa com jornalistas realizada nesta terça-feira, 5 de novembro, em São Paulo. “Acredito que seja justamente a combinação de quão ruim é o trânsito e o quão amigáveis são os brasileiros.”

Com esse status, São Paulo, onde o Waze tem 4,5 milhões de usuários mensais ativos, será a primeira sede de um projeto-piloto global para aprimorar a experiência oferecida pelo aplicativo de caronas.

Pontos de carona em São Paulo

O Waze anunciou a instalação de cinco pontos de embarque e desembarque para os usuários do app, além da reforma de um parklet (área de espera) no bairro do Butantã, na zona Oeste da cidade de São Paulo.

Todos os espaços estão localizados em São Paulo e foram escolhidos a partir da análise dos dados de deslocamento em pouco mais de um ano de operação do serviço. Instalados por meio de uma parceria com a prefeitura de São Paulo, os locais têm autorização, a princípio, para trinta dias de uso. Depois desse período inicial de testes, a ideia é consolidar e expandir o modelo a partir de 2020.

A cidade de Joinville (SC), que já mantém outros projetos em conjunto com o Waze, deve ser uma das próximas a contar com esse formato.

Durante o evento, Bardin defendeu as caronas como o recurso mais indicado para desafogar o trânsito das grandes cidades. E discorreu sobre outros temas, como os desafios de rentabilizar esse modelo e os carros autônomos. Confira:

CARONAS

“Não importa se você é rico ou se é pobre. Estamos todos parados no trânsito e na mesma velocidade. De várias maneiras, nós construímos nossas cidades para os carros e não para as pessoas. Então, sem construir novas infraestruturas, sem massivos investimentos em transporte público, em estradas, apenas usando lugares vazios em um carro, podemos melhorar dramaticamente a mobilidade. Não importa quem está dirigindo. Eu, um motorista do Uber, ou um computador. Se não colocarmos mais pessoas nos carros, nada irá mudar.”

“Estamos todos parados no trânsito e na mesma velocidade. De várias maneiras, nós construímos nossas cidades para os carros e não para as pessoas”

DESAFIOS

“O que nos levou às caronas é a percepção de que não há tantos atalhos que podemos encontrar. Nós vamos dar a melhor opção dentro das restrições atuais. Mas se todos nós usarmos nossos carros de maneira diferente e os assentos vazios forem preenchidos, podemos tirar alguns desses carros das ruas. Essa é a essência.”

PARCERIA

“Muitas companhias de mobilidade têm um atrito com as cidades. Nós tentamos trabalhar juntos. Em todo o mundo, já há cidades com uma abordagem proativa em relação à carona. Porque é mais barato do que construir um trem. Ou uma via. Acho que os governos têm um papel importante aqui. Como subsidiam trens, ônibus, que não são necessariamente grande serviços, nós podemos ver um mundo onde governos subsidiam caronas, pagando diretamente aos cidadãos.”

COMPETIÇÃO

“Não competimos com o Uber ou outras companhias. Nossa competição é o motorista sozinho. Temos que convencer as pessoas a não dirigirem sozinhas. Esse é o desafio mais difícil. Temos que convencer as pessoas a mudarem o que elas fazem todos os dias. Essa é a nossa grande competição.”

“Nossa competição é o motorista sozinho. Temos que convencer as pessoas a não dirigirem sozinhas”

COMO RENTABILIZAR O NEGÓCIO?

“O modelo de negócios em transportes, em geral, é desafiador. O transporte público perde muito dinheiro e é todo subsidiado. Todos nós pagamos por ele. E todas as diferentes companhias de micromobilidade perdem dinheiro. Ainda é desafiador descobrir como podemos construir um modelo que funcione. Se você pensar nos serviços de carona, hoje, eles não pagam pelo carro, pelo combustível. O motorista paga. E mesmo assim eles têm muita dificuldade de gerar receita. Não é um modelo de negócios simples. Temos que achar o preço certo. Que seja baixo o suficiente para que quem pega a carona esteja disposto a fazer isso e alto o suficiente para que os motoristas estejam disponíveis. Agora, não estamos fazendo nenhum dinheiro. Estamos perdendo dinheiro. Pagando aos motoristas mais do que estamos coletando de quem pega carona. No longo prazo, acreditamos que vamos ter parte dessa transação.”

CARROS AUTÔNOMOS

“Os carros autônomos são, provavelmente, o maior desafio tecnológico da nossa geração. É como a bomba atômica, a internet. Mas, ao contrário dessas tecnologias, que receberam investimentos de governos, eles estão recebendo investimentos de companhias privadas. Mas o desafio tecnológico é apenas o primeiro passo. Uma vez que isso seja solucionado, temos o desafio regulatório. Quem é o responsável por um acidente? Onde esses carros poderão trafegar? Uma vez que essas questões sejam resolvidas, temos o problema da produção. Há um bilhão de carros no mundo, com previsão de dobrar até 2040. A capacidade total de produção de carros no mundo é de 75 milhões de unidades. Como vamos substituir isso? Não temos capacidade de bateria para isso. Superada essa fase, há o desafio de modelo de negócios. Quem vai pagar de fato por esses carros? Então, todas essas coisas juntas, vão demandar muito tempo até que carros autônomos se estabeleçam. Mas mesmo que eles cheguem amanhã e todos seguirmos dirigindo como hoje, sozinhos no carro, nada irá mudar. É por isso que a carona, que pode acontecer hoje, com a infraestrutura existente, é crítica para fazer essa mudança de comportamento.”

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