As incertezas marcadas pelo primeiro ano do retorno de Donald Trump à Casa Branca provocaram a maior queda global do dólar desde 2017. A moeda caiu cerca de 10% contra as principais moedas do mundo, à medida que investidores buscaram maior diversificação fora dos Estados Unidos.

Após as quedas do ano passado, economistas do Goldman Sachs ainda veem a moeda americana cerca de 15% acima do preço justo. Mas, na avaliação do banco, esse movimento de enfraquecimento tende a perder força daqui para frente.

Para o banco, o dólar já passou pela fase mais intensa de correção após o pico recente e, na ausência de um choque macroeconômico mais severo ou de um ciclo agressivo de afrouxamento monetário nos Estados Unidos, a moeda tende a apresentar movimentos mais contidos.

Um dos argumentos do banco para a maior sustentação do dólar em 2026 é a perspectiva para a economia americana, para a qual o Goldman Sachs trabalha com uma projeção de crescimento acima do consenso de mercado. A expectativa da casa é de alta de 2,8% do PIB neste ano, contra um consenso de 2,5%.

“Essa maior força da economia americana deve colocar um piso para o dólar”, diz o Goldman Sachs em relatório. Os economistas acrescentam que, a depender do desempenho dos ativos americanos, a moeda pode ganhar um novo impulso.

Parte dessa resiliência dos Estados Unidos, segundo o banco, está relacionada à maior produtividade gerada pelos avanços em inteligência artificial, que também têm contribuído para as altas do mercado americano.

“Não estaria muito distante do nosso cenário-base um desempenho da economia dos EUA suficientemente forte para manter o valuation do dólar elevado.” Ainda assim, o Goldman Sachs ressalta que o cenário-base não aponta para uma reversão da tendência observada nos últimos anos, mas para um ajuste mais gradual.

Mesmo com o dólar mais resiliente, o Goldman Sachs segue relativamente otimista com o real, moeda que, segundo o banco, deve ser favorecida por um maior apetite global por risco em 2026 e pelo diferencial de juros ainda elevado.

Entre os riscos mapeados pelo banco está a possibilidade de um resultado eleitoral menos favorável ao mercado. Segundo o banco, porém, parte relevante já está no preço, gerando uma assimetria positiva à favor do real.

O Goldman Sachs destaca ainda que parte da valorização do real em 2025 teve relação com fundamentos mais favoráveis, como a melhora dos termos de troca. “Isso contribui para que o real continue a contar com um colchão saudável de valuation.”

Para o euro, que esteve entre os maiores ganhos do ano passado, o Goldman Sachs vê probabilidade de um novo movimento expressivo de apreciação neste ano. Ainda assim, os economistas afirmam que o euro deve continuar se beneficiando da expectativa de recuperação cíclica na Europa, impulsionada por maiores gastos fiscais, especialmente na Alemanha.