O ingresso de capital externo para aplicação em papéis já listados na B3 atingiu em janeiro R$ 26,31 bilhões, montante superior aos R$ 25,47 bilhões alcançados em 2025. Esticando o calendário anual até 3 de fevereiro, mais de R$ 28 bilhões aportaram na Bolsa. Einar Rivero, CEO da consultoria Elos Ayta, observa que o comportamento da bolsa de valores é um sinal claro de reorganização dos fluxos de capital no País.

Historicamente, diz Rivero, janeiro costuma ser um mês mais favorável a ativos defensivos ou atrelados ao câmbio. Neste ano, porém, o roteiro foi outro: o risco doméstico foi remunerado. “E o ponto central desse movimento merece destaque: a valorização dos ativos brasileiros ocorreu em paralelo a um enfraquecimento de proteções cambiais, sugerindo redução de prêmios de risco e reposicionamento dos investidores, sobretudo estrangeiros, em direção ao mercado local”, afirma.

A perspectiva de queda do juro com a inflação doméstica cadente e a desova de ativos norte-americanos por investidores globais em migração, sobretudo, para os mercados emergentes alimentam a firme valorização das ações e o bom comportamento da moeda americana. O Ibovespa, que saltou quase 34% em 2025 e mais 12,5% em janeiro avança, em fevereiro, mas sujeito a correções.

O câmbio enfraquece com alguma discrição, após ser fortemente influenciado durante meses pela cotação do dólar americano no exterior. Durante o ano passado, a moeda embicou consistentemente para 99 pontos ou menos, segundo o Dollar Index (DXY) – indicador que compara o dólar à cesta de moedas dos principais parceiros comerciais dos EUA e que, abaixo de 100 pontos, beneficiou as demais divisas.

Entre elas, o real valorizou mais de 11% ante o dólar no ano passado – tendência mantida em janeiro deste ano, quando subiu mais 4,4% – uma trajetória “contida” sustentada neste início de fevereiro. Na Bolsa não há trajetória “contida” em valorização e giro financeiro que avança embalado por uma excepcional força compradora de ações por investidores estrangeiros.

E o novo presidente do Fed?

O comportamento da bolsa brasileira e também das emergentes latinas – em valorização – confirma demanda por diversificação de investidores para quem, inclusive, os próximos lances da política monetária nos EUA não são claros. A recepção a Kevin Warsh para o comando do Fed foi positiva. O mercado internacional vê o preferido de Donald Trump como “conservador” que estará atento à inflação.

Mas até onde Warsh conseguirá blindar o Fed de intromissões da Casa Branca? Powell conseguiu a duras penas e com Trump sugerindo – dia sim e no outro também – que a história seria diferente após sua saída. A ver.

Ainda que Warsh não decepcione e não arraste o juro a 1% como ambiciona Trump, a perspectiva é de volatilidade ampliada dos ativos nos próximos meses. Em novembro, os EUA e Trump passarão por um teste com as eleições de meio de mandato. Cenário semelhante se desenha para o Brasil, onde a corrida eleitoral promete ser acirrada entre o presidente Lula com foco na reeleição e o seu opositor, seja quem for.

Aqui, é necessário levar em conta também que, já no segundo trimestre, o Executivo brasileiro será reconfigurado, em função da debandada de ministros que deverão se afastar dos cargos para concorrer às eleições gerais de outubro. O Congresso também entra na dança. Mas, por ora, lida com o “Caso Master” que pode redundar em CPI e com a CPMI do INSS.

Na semana pré-Carnaval, inclusive, um grupo de trabalho composto por senadores, voltado à investigação do Master, deverá “estreitar” laços com o BC, a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal em busca de mais informações.

Pré-Carnaval incentiva demanda por hedge

O mercado financeiro embarcará na segunda-feira, 9 de fevereiro, na semana pré-Carnaval e cumpre agenda até a “sexta-feira gorda”, 13 de fevereiro, de abertura da maior festa popular do País.

A contagem regressiva para tão longo feriado justifica antecipar operações e acelerar a demanda por hedge para cobertura de riscos de mercado, sobretudo juros e câmbio, devido ao descasamento entre os pregões local e internacional – condições que podem impor maior volatilidade aos ativos.

Nesse período, riscos geopolíticos podem ser minimizados, porque o mercado global sofrerá um desfalque considerável, mas esperado, na semana do Carnaval. A China estará fora do mercado. Por coincidência, a segunda maior economia do mundo celebra o Ano-Novo na terça, 17 de fevereiro, de Carnaval no Brasil. Na China continental, o feriado vai de 15 a 23 de fevereiro. Em Hong Kong, de 17 a 19 de fevereiro.

Nos EUA, porém, dados do mercado de trabalho e inflação ao consumidor de janeiro – atrasados pelo breve “shutdown” – serão divulgados, respectivamente, na quarta-feira, 11, e na sexta, 13. E podem provocar repercussões, embora a próxima reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed), BC norte-americano, esteja distante.

No Brasil, a B3 cerra as portas na segunda e na terça, 16 e 17, e reabre na quarta, 18, às 13h. Os negócios tendem a engrenar na quinta-feira, em marcha-lenta. Até lá tem chão e poucos dados econômicos. O IBGE dará continuidade à publicação de indicadores de atividade que encerram 2025. A produção industrial de dezembro de 2025 já saiu e, em queda, reforçou a expectativa de economia frágil no quarto trimestre. Na quinta-feira, 12, o instituto divulga o desempenho de serviços e na sexta-feira, 13, das vendas no varejo.

Antes, porém, na terça-feira, 10 de fevereiro, será conhecido o IPCA de janeiro. Em 2025, a inflação cravou 4,26%, abaixo do teto da meta, mas ainda pressionando expectativas que seguem descoladas de 3% e explicam, ao menos em parte, a cautela do Banco Central no processo de corte de juros, embora a instituição tenha sinalizado para março o início do novo ciclo. Grandes bancos e consultorias encerraram a semana renovando apostas em redução inicial da Selic em 0,50 ponto percentual. Acima disso, é difícil.

A perspectiva de queda do juro com a inflação doméstica cadente e a desova de ativos norte-americanos por investidores globais em migração, sobretudo, para os mercados emergentes alimentam a firme valorização das ações e o bom comportamento da moeda americana. O Ibovespa, que saltou quase 34% em 2025 e mais 12,5% em janeiro avança, em fevereiro, mas sujeito a correções.

O câmbio enfraquece com alguma discrição, após ser fortemente influenciado durante meses pela cotação do dólar americano no exterior. Durante o ano passado, a moeda embicou consistentemente para 99 pontos ou menos, segundo o Dollar Index (DXY) – indicador que compara o dólar à cesta de moedas dos principais parceiros comerciais dos EUA e que, abaixo de 100 pontos, beneficiou as demais divisas.

Entre elas, o real valorizou mais de 11% ante o dólar no ano passado – tendência mantida em janeiro deste ano, quando subiu mais 4,4% – uma trajetória “contida” sustentada neste início de fevereiro. Na Bolsa não há trajetória “contida” em valorização e giro financeiro que avança embalado por uma excepcional força compradora de ações por investidores estrangeiros.