A guerra entre Estados Unidos e Irã e a escalada do conflito para os demais países do Oriente Médio já afetaram, na prática, o movimento de expansão de data centers na região. A Amazon Web Services (AWS) é o primeiro grande gigante da tecnologia a sentir o primeiro impacto do conflito.
A divisão de nuvem da companhia de Jeff Bezos informou que iniciou as atividades de seu centro de processamento no Bahrein, por causa de um ataque aéreo por drones. Esta é a segunda vez que as atividades no local são afetadas pela ocorrência da guerra.
A empresa afirmou que está ajudando os clientes a migrar para regiões alternativas da AWS enquanto se recuperam, embora não tenha fornecido detalhes adicionais, como a extensão dos danos ou quanto tempo prevê a interrupção.
“À medida que esta situação evolui e, como já avisamos anteriormente, solicitamos que aqueles com cargas de trabalho nas regiões afetadas continuem a migrar para outros locais”, disse a Amazon, em um comunicado.
A companhia não informou, no entanto, que suas instalações no Bahrein foram atingidas diretamente por ataque de drone ou se a interrupção foi causada por ataques aéreos nas proximidades.
No início de março, a AWS relatou que as instalações no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos sofreram quedas de energia, justamente por causa do conflito. E que estava trabalhando para restabelecer o serviço, incluindo a transferência de cargas de trabalho de computação para outras regiões.
“Essas descargas elétricas causaram danos estruturais, interromperam ou forneceram energia à nossa infraestrutura e, em alguns casos, exigiram ações de combate a incêndios que resultaram em danos adicionais causados pela água”, afirmou a empresa.
Com isso, a Amazon afirmou que prevê uma recuperação “prolongada” devido aos danos estruturais provocados nos equipamentos nos Emirados Árabes e no Bahrein.
“Nos Emirados Árabes Unidos, duas de nossas instalações foram atingidas diretamente, enquanto no Bahrein, um ataque de drone nas proximidades de uma de nossas instalações causou impacto físico em nossa infraestrutura”, completou a AWS.
As gigantes da tecnologia dos Estados Unidos estão posicionadas no Oriente Médio como um centro regional para computação de inteligência artificial, essencial para serviços como o ChatGPT, da OpenAI.
Em novembro, a Microsoft anunciou que planeja investir US$ 15 bilhões, até o final de 2029, para seus data centers na região, com a utilização de chips da Nvidia.
"Em conflitos anteriores, adversários regionais como o Irã e seus aliados atacaram petróleo, refinarias e campos de petróleo em países parceiros do Golfo. Na era da computação, esses atores também puderam atacar data centers, infraestrutura de energia que suporta a computação e pontos de estrangulamento de fibra óptica", afirmou o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), de Washington.
Além de Amazon e Microsoft, Google e Oracle também possuem instalações relevantes no Oriente Médio, em países como Bahrein, Emirados Árabes, Catar, Arábia Saudita e Israel.
A AWS hoje é fundamental para o funcionamento de muitos portais de internet e para operações governamentais. É também o principal motor de lucros da empresa.
A Amazon fechou 2025 com receita de US$ 717 bilhões. A AWS representa cerca de 18% deste total, com faturamento de US$ 128,7 bilhões no ano passado e alta de 19% sobre o ano anterior.
O plano é que, a partir do avanço das tecnologias de inteligência artificial (IA) e da necessidade de expansão do número de mega data centers pelo mundo, a receita do segmento de nuvem chegue a US$ 600 bilhões em uma década.
Na Nasdaq, as ações da Amazon operam em baixa no pregão desta terça-feira, 23 de março. Por volta das 12h (horário local), os papéis registravam desvalorização de 1%. No acumulado do ano, a valorização é de 2,4%. A empresa vale US$ 2,24 trilhões.