O Fictor Invest FIDC, gerido pela Fictor Asset, foi fechado para resgates após receber pedidos de saque superiores a 40% de seu patrimônio líquido, de R$ 272,14 milhões no fim de fevereiro. Uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) foi marcada para a segunda-feira, 9 de março, para debater a possível liquidação do fundo.

Entre as justificativas para o fechamento do fundo, segundo documento obtido pelo NeoFeed, está a alocação do fundo em outros FIDCs “com prazos de liquidez incompatíveis com o volume de resgates imediatos solicitados”.

Segundo dados obtidos pelo NeoFeed, o Fictor Invest FIDC tinha, no fim de janeiro, R$ 179,23 milhões em fundos de investimento financeiros (sem especificar a categoria) e R$ 92,9 milhões aplicados em FIDCs.

A gestora integrava o primeiro grupo de empresas da Fictor que entrou com pedido de recuperação judicial (RJ) no início de fevereiro. Ainda sem a aprovação do pedido na Justiça e chegando ao fim o prazo da liminar que impedia as cobranças por 30 dias, a Fictor também incluiu, na quarta-feira, 25 de fevereiro, outras empresas do grupo no pedido de RJ.

Embora o fundo seja independente do pedido de recuperação judicial, a companhia informou que “a similaridade reputacional e a unidade de marca ocasionaram aumento atípico e expressivo nas solicitações de resgate” do FIDC Fictor Invest.

O caso é semelhante ao que levou a empresa ao pedido de RJ, que, segundo a Fictor, foi motivado pela incapacidade de honrar os pedidos de resgate relacionados às emissões de Sociedades em Conta de Participação (SCP).

De acordo com a Fictor, os pedidos de resgate teriam sido motivados pelo maior escrutínio da mídia sobre suas operações e pela repercussão negativa sobre a tentativa de comprar o Banco Master, investigado por fraudes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro.

Até 2025, a Fictor afirma ter levantado cerca de R$ 3 bilhões em SCPs. Depois da oferta pelo Master, em novembro, os pedidos de resgate superaram R$ 2 bilhões.

Fora do guarda-chuva da CVM, as SCPs prometiam retornos aos investidores de até 3% ao mês e rebates de até 2% ao mês aos assessores.

Com as SCPs sob suspeita, a Fictor mudou o modelo de captação a partir de novembro, passando a oferecer aos investidores o FIDC Fictor Invest, conforme reportagem do NeoFeed, com retornos-alvo de 1,4% a 1,8%.

Assim como as SCPs, que até hoje não foram pagas, o prazo de resgate do fundo era de 60 dias corridos.

Até o fim de janeiro, o Fictor Invest FIDC já havia angariado 917 investidores, sendo 906 pessoas físicas e 11 pessoas jurídicas não financeiras.

O fechamento do fundo também coincide com a decisão da BRL Trust (agora Apex Brazil) de renunciar à administração do fundo. A administradora se comprometeu a manter suas obrigações com o fundo pelo prazo de até 180 dias ou até a data de liquidação.

Outros FIDCs da Fictor que não eram destinados a pessoas físicas estão transferindo sua administração para a Qore Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. Entre esses fundos estão o EUD Fictor FIDC, o FIDC Fictor e o Fictor Consignado II FIDC.