Quase sete meses depois de dizer para as empresas que estavam retirando anúncios do X (antigo Twitter) “irem se f****”, Elon Musk foi a Cannes para tentar aparar as arestas com o mercado publicitário e trazer de volta essas companhias para a sua rede social.

Em um painel mediado por Mark Read, CEO do grupo britânico de publicidade WPP, durante o festival de criatividade Cannes Lions na quarta-feira, 19 de junho, o bilionário, que também é dono da Tesla e da SpaceX, foi questionado sobre o porquê da grosseria proferida em novembro. E o que ele quis com isso.

Diferentemente do tom anterior, Musk foi polido em sua resposta e levantou a questão da liberdade de expressão, tema que pontua sempre que há alguma polêmica na X.

“Os anunciantes têm o direito de aparecer ao lado de conteúdo que consideram compatíveis com suas marcas. Isso está totalmente bem. O que não é legal é insistir que não se pode ter nenhum conteúdo na plataforma com o qual não concordam”, disse ele.

Musk xingou o segmento publicitário e clientes que decidiram retirar os anúncios da rede social em novembro depois que ele afirmou a um usuário que escreveu um post de cunho antissemita que aquilo que foi dito representava “a verdade real”, em tradução livre.

Fique Por Dentro

Musk xingou segmento publicitário após polêmica com post antissemita
Receita com publicidade da X caiu 40% no 1º semestre de 2023, diz Bloomberg
Musk quer reduzir peso da publicidade transformando X em "app de tudo"

Na ocasião, o bilionário chamou a reação de “chantagem” e que o boicote “iria matar a companhia”. Entre as empresas que deixaram de veicular propaganda na rede social estão Disney, IBM e Apple.

Mas a rede social já vinha enfrentando dificuldades em atrair receita publicitária. Segundo documentos obtidos pela Bloomberg, a X gerou cerca de US$ 1,48 bilhão nessa frente na primeira metade de 2023, uma queda de 40% em relação ao mesmo período de 2022.

Musk adquiriu a plataforma, por US$ 44 bilhões, em outubro de 2022, fechando seu capital, uma decisão que acabou fazendo com que a empresa deixasse de abrir o balanço ao público.

No painel em Cannes, Musk afirmou que estava trabalhando para melhorar suas operações, com o uso de inteligência artificial para ligar com mais precisão a publicidade na plataforma com o público-alvo.

“Estamos muito focados em fazer com que as propagandas sejam mostradas para as pessoas que acharão interessantes”, disse. “É algo que temos feito e estamos tendo muito progresso.”

Ele destacou ainda o alcance da X e da quantidade de celebridades e figuras relevantes que possuem contas, um prato cheio para o mercado de publicidade. “Se você está tentando alcançar os principais tomadores de decisões, se você quer alcançar as pessoas mais influentes do mundo, a plataforma X é, de longe, a melhor”, disse.

Apesar do movimento para aplacar os ânimos com o mercado publicitário, Musk quer reduzir o peso da publicidade na receita da X, que chega a quase 90% do faturamento. Para isso, aposta no conceito de “app de tudo” que apresentou, em especial em uma função para transferência de dinheiro entre usuários e pagamentos de compras.

Os documentos aos quais a Bloomberg teve acesso foram enviados para autoridades americanas para conseguir a licença para oferecer serviços financeiros. A expectativa é lançar essa função até o final do ano, dependendo das aprovações.