No momento que se intensificaram as dúvidas sobre uma possível bolha para o mercado global de inteligência artificial (IA), em que a maior parte das grandes empresas de tecnologia enxergam oscilações negativas de suas ações, a gigante Alphabet, dona do Google, mostra o contrário.
Na pré-abertura de mercado na Nasdaq desta terça-feira, 25 de novembro, os papeis da companhia valorizavam mais de 4%. Neste ritmo, a perspectiva é de que a empresa alcance uma marca história no pregão e ultrapasse o market cap de US$ 4 trilhões. Atualmente, a Alphabet vale US$ 3,84 trilhões.
Enquanto isso, Microsoft, Oracle, Nvidia e Meta registraram quedas de dois dígitos desde o pico da Nasdaq, no fim de outubro. A queda de 13% da Microsoft, inclusive, fez com que sua capitalização de mercado ficasse abaixo da Alphabet pela primeira vez desde meados de 2018, segundo dados da consultoria FactSet.
Isso faz da controladora do Google a terceira empresa mais valiosa do mundo, depois de Nvidia (US$ 4,44 trilhões) e Apple (US$ 4,08 trilhões). No acumulado de 2025, as ações da Alphabet registram alta de 68%.
Isso não significa que o Google tenha se tornado uma espécie de concorrente da IA. A empresa segue firme na corrida para desenvolver os modelos de IA mais avançados e tem anunciado investimentos expressivos para alcançar este resultado.
Enquanto segue na corrida da IA, a companhia mantém seu negócio principal funcionando a pleno vapor. Sua controladora ainda obtém a maior parte de sua receita anual de US$ 385 bilhões a partir do mercado publicitário.
Ao mesmo tempo, a empresa oferece um nível de integração vertical em IA que nem as outras grandes empresas de tecnologia têm conseguido igualar. O principal exemplo é o Gemini 3, lançado recentemente. O Google treinou seu próprio modelo de IA de ponta em suas próprias redes, usando seus próprios chips, projetados internamente.
Dessa forma, o mercado tem passado a enxergar o Google como uma combinação de OpenAI e Microsoft, também com algumas características da Nvidia. Neste sentido, o forte desempenho do Gemini 3 em benchmarks do setor tem contribuído para a pressão mais recente sobre outras ações de IA.
Analistas enxergam que o progresso do Google com modelos avançados e seus próprios chips podem ser um sinal preocupante para a Nvidia, Microsoft, Oracle e outras big techs. “A vitória do Google prejudicaria várias ações que acompanhamos. Portanto, preparem-se para volatilidade”, escreveu Ben Reitzes, da empresa de análises Melius Research, em um comunicado aos clientes na segunda-feira, 22 de novembro.
Uma grande vantagem do Google em IA é que ele ainda é responsável por 90% das buscas na internet em todo o mundo. Isso proporciona à empresa uma distribuição incomparável para seus modelos de IA. Isso ajuda a compensar a vantagem de pioneirismo da OpenAI com o ChatGPT, lançado ao público há três anos.
Pesquisa da TD Cowen revelou que 26% dos entrevistados usaram o Gemini do Google durante o mês de outubro, em comparação com 35% que usaram o ChatGPT. No entanto, o uso do Gemini aumentou dois pontos percentuais em relação a julho, enquanto o do ChatGPT caiu 1 ponto percentual no mesmo período, segundo o levantamento.
O lançamento da última versão do ChatGPT, em agosto, inicialmente gerou controvérsia em relação ao Google. Também desencadeou uma corrida de investimentos entre todas as grandes empresas de tecnologia que buscam consolidar sua posição no mercado de IA generativa.
Isso resultou em um investimento combinado de quase US$ 321 bilhões por Alphabet, Microsoft, Amazon, Meta e Oracle nos primeiros nove meses de 2025, quase o triplo do que essas cinco empresas investiram no mesmo período, há dois anos.
Apesar de todos esses aportes, não está claro quando as empresas verão o retorno de seus investimentos, ou se esses planos serão, de fato, lucrativos. E é justamente isso que tem deixado os investidores apreensivos ultimamente.
A Nvidia foi a primeira empresa do mundo a ultrapassar US$ 5 trilhões em valor de mercado. A marca histórica foi alcançada no dia 29 de outubro, cerca de três meses após bater US$ 4 trilhões em market cap na Nasdaq.
Na mesma semana, a Apple também fez história e ultrapassou a barreira de US$ 4 trilhões. A Microsoft alcançou esta marca pela primeira vez em julho de 2025, e voltou ao patamar no fim de outubro.
A receita da Alphabet no terceiro trimestre de 2025 foi de US$ 102,35 bilhões, 16% acima da mesma base do anterior, impulsionada pelo crescimento do YouTube e Google Cloud. O lucro no período foi de 34,98 bilhões, 33% acima do mesmo período de 2024.
O crescimento de 34% na receita do Google Cloud se beneficiou da crescente demanda corporativa por infraestrutura baseada em IA e serviços de análise de dados. A unidade registrou receita de US$ 15,16 bilhões, superando as estimativas de US$ 14,72 bilhões.
A receita do segmento de publicidade do Google aumentou 12,6%, e alcançou US$ 74,18 bilhões, bem acima das estimativas de US$ 71,79 bilhões.