Maior grupo hospitalar privado do Brasil, com 76 hospitais e três sob administração, a Rede D’Or deverá ser beneficiada com a criação da Bradsaúde, companhia anunciada em fevereiro pelo Grupo Bradesco e que será listada no Novo Mercado da B3, por meio de IPO reverso.

Para os analistas do banco BTG Pactual, a união dos ativos em planos de saúde hospitalares vai garantir a aceleração no ritmo de projetos greenfield da Atlântica D’Or, joint-venture entre Rede D’Or (50,01%) e a Bradesco Seguros (49,99%).

Segundo relatório do banco, a percepção da companhia fundada pela família Moll é que a Bradsaúde seguirá com a estratégia de estabelecer parcerias com líderes de mercado no segmento hospitalar.

“O maior investimento hospitalar do portfólio da Bradsaúde é justamente a Atlântica D’Or. Assim, a companhia vê potencial para novos projetos no futuro”, diz o documento assinado por Maria Resende e Samuel Alves.

A JV deve inaugurar, ainda em 2026, o hospital do grupo em Ribeirão Preto, que deverá ter a marca São Luiz, e que será instalado em uma área anexa ao RibeirãoShopping. Os investimentos para a construção somente deste hospital somam R$ 250 milhões.

Hoje, a Atlântica D’Or tem seis hospitais sob gestão (três já em operação, que foram incorporados, e três construídos). Além da unidade de Ribeirão Preto, a empresa também deve abrir este ano um hospital em Taubaté, também no interior paulista.

Neste sentido, o BTG enxerga a expansão de capacidade como um importante motor de crescimento para a receita da Rede D’Or. No ano passado, foram cerca de 500 novos leitos, e, para 2026, estão previstos mais 800, levando em conta os projetos da Atlântica D’Or.

“Em termos de leitos operacionais, a administração espera pelo menos o mesmo nível de crescimento observado em 2025, com potencial de alta adicional”.

Em novembro de 2025, o CEO da Rede D’Or, Paulo Moll, contou ao NeoFeed que os hospitais da Atlântica D’Or têm atingido um ponto de equilíbrio financeiro muito antes do que eles previam.

“De uma forma geral, o breakeven de um hospital demora mais de um ano. Na Rede D’Or, alcançamos em seis meses. Nos três hospitais inaugurados dentro do guarda-chuva da Atlântica D’Or, conseguimos em menos de dois meses”, disse Moll, na ocasião.

Entre os motivos apresentados, estavam a carência de leitos de referência nas regiões das unidades hospitalares e a inclusão imediata do credenciamento de Bradesco Seguros e SulAmérica.

Ainda segundo o BTG, outra boa notícia que deve contribuir para a expansão da rede criada em 1977, no Rio de Janeiro, por Jorge Moll, foi a recente aprovação, pelo Ministério da Educação (MEC), de uma faculdade de Medicina administrada pela empresa.

“Embora essa iniciativa não deva ter impacto material no curto prazo, a companhia vê potencial de expansão adicional na área educacional, especialmente como forma de fortalecer o relacionamento com a comunidade médica”, dizem os analistas.

No início de março, o MEC deu a habilitação para que o Instituto D’Or de Ensino, braço de educação do grupo, pudesse avançar no projeto. Serão 100 vagas para alunos por ano, a partir de 2027.

A visão que os analistas do banco ouviram dos diretores da rede hospitalar é de um início de ano forte, com volumes hospitalares sólidos e indicadores operacionais saudáveis.

“Mesmo considerando que o Carnaval ocorreu em março do ano passado, a companhia reportou volumes maiores em janeiro e fevereiro na comparação anual. Isso reforça a expectativa de que março possa ser o mês mais forte do trimestre”, diz o relatório.

Sobre as margens, a perspectiva, segundo o banco, é por melhora. A companhia contou que há hoje nove hospitais em fase de ramp-up e que, quando atingirem suas capacidades plenas, o impacto consolidado poderá chegar a mais dois pontos percentuais de margem.

“Outros fatores que devem ajudar incluem maior alavancagem operacional, migração do sistema ERP em mais de 20 hospitais, melhor controle de glosas e eficiência em compras”, explica o BTG.

Com esta perspectiva, o BTG reiterou que a companhia segue como a principal aposta de ações no segmento hospitalar. “De forma geral, a Rede D’Or parece bem posicionada para consolidar ainda mais sua liderança nos mercados de hospitais e seguros de saúde em 2026”, afirma.

No acumulado de 12 meses, as ações da Rede D’Or na B3 acumulam alta de 35%. Em 2026, no entanto, registra queda de 8%. A companhia está avaliada em R$ 85 bilhões.