A decisão do governo dos Estados Unidos de “pisar no freio” nos incentivos para carros elétricos e nas regulações de redução de emissões está tendo efeito duro sobre os resultados da General Motors (GM).

Após registrar impacto de US$ 1,6 bilhão no terceiro trimestre, a montadora anunciou que o tema voltará a pesar no quarto trimestre, em valor muito maior: US$ 6 bilhões.

E, para piorar as coisas, a montadora ainda terá que arcar com um custo de reestruturação de US$ 1,1 bilhão vindo da joint venture que opera na China. Total: um prejuízo de US$ 7,1 bilhões.

No caso do impacto vindo dos carros elétricos, o montante refere-se ao processo de reavaliação da capacidade de produção de veículos elétricos nos Estados Unidos, incluindo investimentos na fabricação de componentes de bateria, para se adequar à menor demanda do consumidor americano.

“Entre os encargos estão perdas por redução ao valor recuperável e outros encargos não monetários, de aproximadamente US$ 1,8 bilhão, além da revisão de acordos comerciais com fornecedores, taxas de cancelamento de contrato e outros encargos de cerca de US$ 4,2 bilhões, que terão impacto no fluxo de caixa quando forem pagos”, diz trecho do comunicado enviado à SEC.

O anúncio pesou sobre o desempenho das ações da GM em 9 de janeiro. Perto das 14h15, os papéis recuavam 3,74%, a US$ 81,95. Em 12 meses, acumulam alta de 64,4%, levando o valor de mercado a US$ 76,4 bilhões.

Desde sua reeleição, Donald Trump vem desmontando a política ambiental e de carros elétricos de seu antecessor, Joe Biden. Em setembro, a Casa Branca encerrou o subsídio de até US$ 7,5 mil para compra de carros elétricos e relaxou regras de emissões de poluentes e gases de efeito estufa.

Com o fim dos subsídios, a previsão é de queda nas vendas de carros elétricos nos Estados Unidos. Diferentemente dos mercados europeu e asiático, o americano sempre enfrentou altos preços, mesmo com crédito fiscal. Dados da indústria de agosto de 2025 indicavam que um veículo elétrico médio custava US$ 9 mil a mais que um modelo a gasolina nos Estados Unidos.

A reversão da agenda ambiental por Trump tem afetado diretamente o mercado de veículos elétricos, com montadoras se preparando para queda na demanda e absorvendo perdas dos investimentos feitos para produzir esses carros.

No mês passado, a Ford anunciou impacto de US$ 19,5 bilhões em função da revisão de sua estratégia para veículos elétricos. Segundo a empresa, boa parte será registrada no quarto trimestre, com o restante diluído ao longo de 2026 e 2027.

“Essa abordagem prioriza acessibilidade, variedade e lucro. A Ford ampliará opções de motorização – incluindo híbridos e propulsão elétrica de longo alcance – enquanto concentrará o desenvolvimento de veículos puramente elétricos em sua plataforma universal flexível para modelos menores e mais acessíveis”, diz trecho do comunicado.

Os Estados Unidos não são o único mercado em que os carros elétricos enfrentam dificuldades. Em setembro, Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, anunciou adiamento de um ano da exigência de que veículos de emissão zero representem ao menos 20% das vendas a partir de 2026.

A União Europeia também cedeu à pressão das montadoras locais e decidiu repensar sua meta de eliminar emissões de dióxido de carbono dos carros até 2035.