O Banco Central do Brasil decretou, nesta quarta-feira, 18 de fevereiro, a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A., instituição que já operou sob os nomes Indusval e Voiter, e que nos últimos anos enfrentou uma sucessão de reestruturações, dificuldades financeiras e aumento da percepção de risco no mercado.
A decisão, publicada em comunicado oficial do próprio BC, também atinge a Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM), ambas integrantes do conglomerado prudencial Pleno, classificado como segmento S4, de pequeno porte, com apenas 0,04% dos ativos e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional.
Segundo o nota do Banco Central, a medida foi motivada pelo "comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, deterioração da liquidez e infringência às normas que disciplinam a atividade bancária".
Estima-se que a liquidação do Banco Pleno deve custar mais R$ 5 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito, elevando a conta do resgate com os pagamentos de CDBs de Master e Will Bank para mais de R$ 50 bilhões.
A trajetória do Banco Pleno é marcada por mudanças constantes de controle e identidade corporativa. Originalmente o Banco Indusval, a instituição tentou se reposicionar em 2019 ao adotar o nome Voiter, apostando em digitalização e uma estrutura mais enxuta.
Depois de tentativas frustradas de venda, o banco acabou incorporado ao conglomerado Banco Master em 2024, liderado por Daniel Vorcaro. A nova fase durou pouco: o Banco Central impôs restrições que agravaram a dificuldade do Pleno em captar recursos, especialmente via CDBs, sua principal fonte de financiamento.
Com limitações regulatórias, os títulos passaram a ser negociados no mercado secundário a taxas muito acima do CDI, refletindo a deterioração da confiança dos investidores.
Em 2025, o controle foi transferido para o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, que assumiu o reposicionamento da instituição com foco em crédito consignado, apoiado na operação do Credcesta. O plano, entretanto, não foi suficiente para reverter a situação de liquidez crítica do banco.
Lima, inclusive, foi alvo da operação Compliance Zero, que investiga a fraude na venda de carteiras do Master para o BRB, em novembro do ano passado. Assim como Vorcaro, ele foi preso na ocasião. Posteriormente, foi solto, cumpre medidas cautelares e está com tornozeleira.
O Banco Central vinha monitorando a instituição de perto há meses. Desde o final de 2025, o órgão passou a desmontar gradualmente estruturas do antigo conglomerado Master após identificar, insolvência financeira, suspeitas de fraudes contábeis, descumprimento de normas, risco de contágio sistêmico para outras instituições financeiras.
No caso específico do Banco Pleno, a autarquia destacou que a instituição já não apresentava condições seguras de operação, tanto sob o ponto de vista financeiro quanto regulatório. As investigações do BC continuam e poderão resultar em sanções administrativas e comunicações às autoridades competentes. Como determina a legislação, os bens dos controladores e administradores foram tornados indisponíveis.