Após um ano marcado pelo “gosto amargo” da queda no volume de cerveja vendida, a Ambev acredita que a Copa do Mundo e o calendário de feriados devem impulsionar o consumo no Brasil em 2026.

"O Carnaval está em andamento no Brasil e em vários mercados latino-americanos. Depois, começamos a nos preparar para a Copa do Mundo, que terá fuso horário favorável. No Brasil, o calendário está repleto de feriados, com vários fins de semana prolongados”, afirmou Carlos Lisboa, CEO da Ambev, nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, na teleconferência de resultados do quarto trimestre.

Segundo Lisboa, condições climáticas adversas e um ambiente de consumo mais desafiador reduziram as ocasiões de socialização no ano passado, pressionando os volumes da indústria e da Ambev.

No quarto trimestre, os volumes totais caíram 3,6% em relação ao ano anterior. No Brasil, a queda foi de 3,7%, sendo que as vendas de cerveja, principal produto da companhia, recuaram 2,6%. Já as bebidas não alcoólicas tiveram retração de 6,6%. Em 2025, os volumes totais caíram 3,3%, com recuo de 4,1% no Brasil.

“Foi a primeira vez que vimos um impacto tão forte em nosso setor”, afirmou Lisboa. “Para usar uma analogia simples, 2025 foi uma temporada difícil para jogar, com campo instável, clima frio e um jogo em constante mudança.”

O CEO destacou que o que ocorreu no ano passado foi uma questão cíclica, prejudicada por fatores específicos. Segundo ele, não houve mudança repentina nos fundamentos da cerveja, refutando análises de que o consumo caiu porque os jovens estão bebendo menos.

Lisboa disse que os consumidores mais engajados se aproximaram ainda mais da categoria, fortalecendo seu valor ao longo do ano. O que mudou foi “quantas vezes o momento certo [para consumir] apareceu”.

“A cerveja continua sendo apreciada, culturalmente relevante e profundamente ligada à socialização em todos os mercados onde tem alta participação. E seguimos observando crescimento significativo pela frente”, afirmou.

Prova disso, segundo ele, foi o desempenho do aplicativo de entregas Zé Delivery, que encerrou 2025 com o maior resultado da história, com GMV 13% maior que em 2024, alcançando R$ 4,7 bilhões.

“Em termos estratégicos, o Zé Delivery nos aproxima dos consumidores mais jovens, com quase 80% deles pertencendo à Gen Z ou aos millennials”, disse o executivo.

O tom de Lisboa contrasta ao apresentado pela Heineken, que demonstra cautela com o mercado brasileiro, a ponto de analistas questionarem se a cervejaria holandesa não pensa em reduzir os investimentos.

Já na Ambev, na retomada prevista para 2026, as marcas populares terão papel importante. Apesar de a Ambev ter liderado a categoria no ano passado, com rótulos premium e super premium crescendo “um dígito alto”, Lisboa afirmou que as marcas populares, classificadas como core, são essenciais para atingir a maior parte da população brasileira, em que preço é decisivo.

“A parte core é a mais forte da indústria e é preciso considerar que a maioria da população no Brasil ainda depende de um salário mínimo. O core tem papel importante porque promove acessibilidade”, afirmou.

A Ambev fechou o quarto trimestre com lucro líquido de R$ 4,5 bilhões, queda de 9,9%. A receita líquida recuou 8,2%, para R$ 24,8 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado diminuiu 8%, para R$ 8,8 bilhões.

No acumulado do ano, o lucro subiu 7,7%, para R$ 16 bilhões. A receita líquida recuou 1,4%, para R$ 88,2 bilhões, e o Ebitda ajustado cresceu 1,6%, para R$ 29,5 bilhões.

Por volta das 16h09, as ações da Ambev subiam 4,44%, a R$ 16,47. Em 12 meses, os papéis acumulam alta de 20,6%, levando o valor de mercado a R$ 259,6 bilhões.