A Cosan voltou a colocar o IPO da Compass Gás e Energia na mesa. Em fato relevante divulgado nesta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, a companhia informou que está “avaliando a realização de uma oferta pública inicial de distribuição de ações” de emissão da Compass.
A empresa ressalta que a efetiva realização depende de condições de mercado no Brasil e no exterior e de aprovações societárias, “não havendo, nesta data, qualquer decisão” sobre levar a transação adiante.
Essa é a segunda tentativa do IPO da Compass, depois de ter chegado muito perto. Em 2020, a Cosan avançou com o processo de IPO da Compass: havia protocolado a oferta junto à Comissão de Valores Mobiliários e trabalhava com uma estreia no Novo Mercado.
A operação estava prevista para ser precificada em 28 de setembro de 2020 e ter início de negociação dois dias depois, em 30 de setembro, mas a companhia cancelou a oferta citando a deterioração das condições de mercado.
A reabertura do tema agora acontece em meio ao ajuste de capital e governança que a Cosan foi obrigada a fazer para reequilibrar a holding. Em setembro de 2025, a companhia anunciou um aumento de capital de R$ 10 bilhões, liderado por BTG e Perfin, com participação também da Aguassanta (family office ligado ao fundador) e um acordo de acionistas de longo prazo.
A capitalização teve como objetivo reduzir alavancagem e dar fôlego ao portfólio, num momento em que o mercado cobrava respostas sobre dívida e estrutura de capital.
Dessa forma, um possível IPO vira uma ferramenta potencial de reorganização financeira e pode abrir espaço para reciclagem de capital em uma holding que vem de uma capitalização pesada e ainda enfrenta um investidor mais exigente, com a entrada de novos sócios no bloco.
Mais recentemente a Cosan teve outra tentativa de IPO de subsidiária frustrada. Em outubro de 2024, a Cosan suspendeu o IPO da Moove na New York Stock Exchange, citando “condições adversas de mercado”. A Moove buscava uma avaliação de até cerca de US$ 1,94 bilhão e a oferta poderia levantar até US$ 437,5 milhões, mas a demanda não fechou no preço.
A sinalização da empresa pode indicar que a leitura é de que o mercado de IPO está voltando. No Brasil, quando a última listagem foi em 2021, a própria Bolsa vem dizendo que enxerga um vento mais favorável para a retomada em 2026, ainda que sem cravar calendário.
Só que, enquanto o mercado doméstico continua em compasso de espera, a janela americana deu sinais de reabertura para emissores brasileiros, mas de forma restritiva. Em 29 de janeiro de 2026, o PicPay fez seu IPO na Nasdaq, levantando US$ 434 milhões e chegando ao mercado avaliado em torno de US$ 2,6 bilhões (com as ações no preço de US$ 19). Já o Agibank precisou reduzir a oferta e precificou a operação no piso da faixa, levantando US$ 240 milhões e saindo com valuation ao redor de US$ 1,92 bilhão.