Maior produtora de aço e quinta maior companhia consumidora de energia no País, a Gerdau, segue avançando no plano de descarbonização de suas operações e na geração de energia por matrizes renováveis.
Na sexta-feira, 17 de abril, a empresa anunciou a aquisição da participação de 23,03%, no valor de R$ 150 milhões, da usina hidrelétrica gaúcha Dona Francisca Energética (Dfesa), que pertencia à Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc).
Até então, a Gerdau tinha 53,94% de participação da hidrelétrica, equivalente a 35,6 MW (megawatts) médios de energia. Com a aquisição, a companhia passa a deter 76,97% de participação acionária da Dfesa, alcançando o volume de 50 MW de energia assegurada. A outra acionista é a Companhia Paranaense de Energia (Copel).
“Estamos aumentando nossa participação em uma hidrelétrica da qual somos acionistas desde o início da operação, visando elevar nossa produção de energia renovável. Além disso, marca mais um investimento no Rio Grande do Sul, estado onde a Gerdau foi fundada, há 125 anos”, diz Gustavo Werneck, CEO da Gerdau.
A hidrelétrica, que fica no rio Jacuí, no município de Nova Palma, no Rio Grande do Sul, tem uma potência instalada de 125 MW, por meio de duas unidades geradoras. O volume gerado de energia seria suficiente para abastecer uma cidade com 350 mil habitantes, como Canoas, por exemplo.
Com esse aumento de participação na Dona Francisca Energética, a Gerdau amplia o plano traçado de investimentos para ser dona da própria produção de energia e ainda ser, de forma indireta, comercializadora e disponibilizar no mercado energia produzida a partir de sistema fotovoltaico.
Em 2025, a companhia realizou aportes de cerca de R$ 3 bilhões na construção de dois parques solares e na aquisição de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). E vai seguir avançando em novas compras.
Com estas ações, a empresa já conta com 43% de todo o seu consumo de energia oriundo de matrizes energéticas renováveis, incluindo fotovoltaica e hidrelétrica.
Em março deste ano, a Newave Energia, joint-venture composta pela Newave Capital e pela Gerdau, inaugurou o parque solar Barro Alto, em Goiás, um dos maiores do tipo no Brasil, com 731 mil placas solares em uma área de 841 hectares.
O volume gerado no parque goiano equivale a 5% de todo o consumo do estado de Goiás, o que corresponde a 365 mil residências. Do total produzido no local, 40% serão destinados para abastecer as unidades da Gerdau e os demais 60% serão vendidos no mercado livre de energia.
A energia gerada no parque Barro Alto equivale a 13% de todo o consumo de energia elétrica da Gerdau no Brasil. O investimento no empreendimento de Goiás chegou a R$ 1,3 bilhão. A capacidade instalada é de 452 megawatts-pico (MWp).
“Produção de aço é intensivo em energia. E queremos chegar a 0,82 tonelada de CO² por tonelada de aço até 2031, menos da metade de média mundial”, disse, na ocasião, Marcos Prudente, gerente-geral de energia e gás natural da Gerdau, ao NeoFeed.
No início de 2025, a Newave Energia entregou o parque solar Arinos, em Minas Gerais, que recebeu investimentos de R$ 1,5 bilhão. A capacidade produtiva é de 420 MWp, e um terço do que é gerado por lá tem como destino as fábricas da Gerdau.
Em janeiro do ano passado, a Gerdau comprou da Atiaia Energia as empresas Rio do Sangue e Paranatinga Energia, proprietárias de duas PCHs em Mato Grosso, por R$ 440 milhões.
Essas hidrelétricas também passaram a fornecer energia para as unidades da siderúrgica, no sistema de autoprodução, em uma quantidade equivalente a 8% do consumo da Gerdau nas operações do Brasil.
Além do componente sustentável, com fornecimento de energia mais limpa, com redução significativa redução no índice de utilização de matrizes fósseis, a energia limpa de autoprodução também é mais rentável. A estimativa é que essa geração própria seja cerca de 30% mais barata.
Ainda no plano de sustentabilidade, a Gerdau lançou, no início de abril, Gerdau a linha de produtos Gerdau NewCo, solução de aço com baixa emissão de carbono para atender os clientes que planejam avançar em suas estratégias de descarbonização.
Os aços deste modelo são produzidos a partir de sucata ferrosa, em um movimento ligado à economia circular e reciclagem. Hoje, 70% do aço fabricado pela Gerdau tem como base a sucata.
Atualmente, a empresa recicla cerca de 11 milhões de toneladas de sucata por ano, o que a coloca como uma das maiores recicladoras da América Latina.
Em 2025, a Gerdau registrou Ebitda de R$ 10,1 bilhões, queda 7% sobre o ano anterior. O lucro líquido, de R$ 3,4 bilhões, foi 21% menor. O principal motivo foi o avanço expressivo do aço importado no mercado brasileiro, de 24% no caso de aços planos.
Na ocasião, Werneck afirmou que a falta de uma ação efetiva por parte do governo federal gera uma “disputa desleal” no mercado nacional. O balanço do primeiro trimestre de 2026 será divulgado pela empresa no próximo dia 27 de abril.
No acumulado de 12 meses, as ações da Gerdau na B3 registram valorização de 46,2%. A companhia tem valor de mercado de R$ 41,43 bilhões.