Dona da Riachuelo e de marcas como Carters e Fanlab, a Guararapes abriu a temporada de balanços das varejistas de moda do quarto trimestre e do ano consolidado de 2025 na quarta-feira, 11 de fevereiro. E, ao inaugurar essa vitrine, alguns números da operação se destacaram.
O grupo teve um lucro líquido de R$ 512,1 milhões em 2025, alta anual de 117,8%. Já o Ebitda ajustado, de R$ 1,75 bilhão, foi recorde e representou um salto anual de 18,1%. Enquanto a margem bruta de vestuário cresceu 2,4 pontos percentuais, para 56,7%, o maior patamar dos últimos sete anos.
Com esses e outros indicadores, a companhia deu sequência ao script que tem mostrado, a cada trimestre, em seus últimos balanços, ao bater seguidamente suas próprias marcas. E que, em linha com esse desempenho, tem ampliado as expectativas do mercado quanto à evolução dessa história.
“A barra está subindo, o que traz cada vez mais desafios”, diz André Farber, CEO da Guararapes, ao NeoFeed. “Mas acreditamos que as iniciativas que nos trouxeram até aqui vão seguir dando resultado, ao mesmo tempo em que já começamos a olhar para outras alavancas.”
Fruto de um processo de reestruturação que ganhou força a partir de 2023, com a chegada de Farber, os avanços nesse roteiro incluíram diversas frentes. Entre elas, a maior integração entre produção, distribuição e varejo, buscando extrair mais benefícios e eficiências do modelo verticalizado do grupo.
Nessa esteira de eficiências, os próximos passos envolvem investimentos em áreas como a evolução de tecnologias aplicadas nos centros de distribuição do grupo. Bem como a ampliação do projeto de instalação de self checkout em toda a rede de lojas.
Já uma das novas alavancas que deve ganhar protagonismo é a expansão de lojas, concentrada basicamente na marca Riachuelo. O grupo acelerou essa vertente no último trimestre de 2025 e encerrou o ano com oito inaugurações da bandeira, contra apenas uma em 2024.
“Estamos planejando entre 15 e 20 aberturas por ano nesse próximo ciclo, o que, em cinco anos, vai adicionar entre 80 e 90 lojas à nossa base”, afirma o CEO. “É um aumento relevante de 25% a 30% de distribuição para a Riachuelo, que hoje tem 340 unidades”.
Outra nova alavanca de crescimento citada pelo executivo, essa mais de médio e longo prazo, é um modelo de loja que a Riachuelo começou a testar em dezembro de 2025, com a inauguração de uma pop up store em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, que ficará aberta, a princípio, por doze meses.
Entre outras questões, a pop up tem uma área de vendas de 250 metros quadrados (m²) – contra a média de 1,5 mil m² a 2 mil m² do formato tradicional. Centrado em collabs e nas marcas Pool e D-Ultras, de tecidos tecnológicos, o mix inclui 1,5 mil SKUs, ante uma faixa padrão de até 60 mil na rede.
“Essa é a nossa declaração de como pretendemos que a experiência de loja e de marca da Riachuelo evolua”, diz. “Por enquanto, só fizemos essa, mas sabemos que uma boa loja, com uma boa experiência, sempre ajuda a acelerar o same store sales.”
A coleção de prioridades da Riachuelo também reserva espaço para o mix de produtos. Nesse capítulo, as novidades neste início de ano incluem os lançamentos da Triya, marca de moda praia, e da D-Sync, linha fitness com proteção UV e tecidos tecnológicos.
“Temos muita coisa no forno”, diz o CEO. “O mercado de moda no Brasil movimenta mais de R$ 200 bilhões e nós só temos 5% de market share. Se dobrarmos isso, vamos ter uma empresa que, em moda, fatura mais de R$ 20 bilhões.”
Em 2025, a Guararapes reportou uma receita líquida consolidada de R$ 10,5 bilhões, alta de 9%. Dentro dessa conta, a receita líquida de mercadorias (varejo), cresceu 8,9%, para R$ 7,85 bilhões. No ano, as vendas de vestuário em mesmas lojas avançaram 10,3%.
Já na Midway, o braço financeiro, a receita líquida foi de R$ 2,51 bilhões, o que representou um crescimento, em base anual, de 9,5%. O Ebitda dessa operação, por sua vez, teve expansão de 19,3%, para R$ 482,2 milhões.
Em outra linha, o grupo fechou o ano com R$ 1,9 bilhão em caixa, contra R$ 1,06 bilhão no terceiro trimestre. Nessa mesma base de comparação, a dívida líquida recuou de R$ 839,2 milhões para R$ 560,2 milhões. E, a alavancagem, de 0,5 vez para 0,3 vez.
No caminho para alcançar os números reportados em seu balanço e realçar o foco no braço do varejo e na financeira Midway, uma das iniciativas mais recentes foi a venda do Midway Mall, shopping center do grupo em Natal, a um grupo de investidores liderado pela Capitânia Capital, por R$ 1,6 bilhão.
Sobre possíveis novos movimentos, Farber não comenta, no entanto, a reportagem recente do jornal Valor Econômico, que afirmou que a companhia estaria preparando um follow on. Entre outros pontos, um dos objetivos seria endereçar a baixa liquidez do papel, que estaria limitando a valorização da ação.
O posicionamento do grupo ficou restrito a um fato relevante em 6 de fevereiro. Nele, a empresa ressaltou que avalia, de forma contínua, alternativas que possam contribuir para a otimização da sua estrutura de capital, bem como o enquadramento do percentual mínimo de ações em circulação.
Entre essas opções, estaria um potencial follow on. A companhia observou, porém, que nenhuma decisão definitiva foi tomada a respeito dessa oferta. E que tampouco contratou qualquer assessor financeiro como parte desse processo.
As ações da Guararapes encerraram o pregão de hoje cotadas a R$ 9,90, o que representou uma ligeira alta de 0,92%. A companhia está avaliada em R$ 4,95 bilhões.