O Grupo NC, controlador da farmacêutica EMS, do empresário Carlos Sanchez, foi o vencedor do processo de venda realizado pela francesa Sanofi e se tornou o novo dono da Medley. A empresa da família Sanchez pagou US$ 600 milhões (R$ 3.175 bilhões) pela marca de genéricos, valor acima dos US$ 500 milhões previstos inicialmente.
O mercado já via a farmacêutica da família Sanchez com ligeira vantagem na concorrência, por ter apresentado uma das ofertas mais altas entre os candidatos. O Aché também foi considerado um potencial compradora, logo pela indiana Sun Pharma, que já atua no Brasil com a marca genérica Ranbaxy.
A vantagem da EMS estava na sinergia do negócio, principalmente em relação à logística, já que a fábrica da Medley, em Campinas (SP), fica a menos de 20 quilômetros do parque industrial da empresa desenvolvida por Carlos Sanchez, em Hortolândia (SP).
A EMS, no entanto, já exigiu a necessidade de uma nova fábrica, e vai construir uma nova unidade para a Medley, além do parque fabril em Campinas. A definição do local dependerá, além da aprovação do Cade, do caminho da reforma tributária.
A empresa está definindo também que irá aumentar o portfólio de produtos da nova marca de genéricos adquiridos.
Como o NeoFeed já havia relevado com exclusividade em fevereiro, todo o quadro de funcionários da Medley será mantido. A diretora-geral Lucia Rossato segue no comando da operação da empresa de genéricos, mesmo com a mudança de dono.
Sem dívidas, a controladora da EMS pretende usar a maior parte do volume de seu próprio caixa para fazer o pagamento aos franceses. A tendência é que 75% seja de capital privado e 25% venham por meio de financiamento bancário.
Em 2025, a Medley registrou faturamento de R$ 1,3 bilhão, com Ebitda próximo de R$ 200 milhões. A Sanofi comprou uma farmacêutica brasileira em 2009, da família Negrão, por R$ 1,5 bilhão.
O Grupo NC fechou 2025 com receita de cerca de R$ 10 bilhões. A EMS representa a maior fatia do grupo. Com a Medley, o conglomerado passa a ser uma empresa próxima de R$ 12 bilhões de faturamento e deve ampliar a liderança no mercado de genéricos, que já é da EMS.
As duas operações serão mantidas de forma independente. O contrato foi assinado na manhã desta sexta-feira, 6 de março, e agora passa pela análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).