Após 13 anos sob gestão da francesa Servier, a farmacêutica brasileira Pharlab voltou a ter comando nacional. Um grupo de investidores, liderado por Nelson Libbos, que foi CEO no Brasil da israelense Teva Pharmaceutical, adquiriu a companhia e agora pretende relançar medicamentos que estavam fora de mercado, como o Resprin.

O caminho da Pharlab, que faturou R$ 500 milhões em 2025, tem sido semelhante ao que vem ocorrendo com a Medley, uma das gigantes do setor de genéricos no Brasil, que foi adquirida pela francesa Sanofi e que agora está no processo de venda da unidade de genéricos.

Com a mudança no comando, Libbos assume a presidência do conselho da companhia e o executivo Eduardo Martins segue como CEO. Além da ampliação do portfólio, a empresa irá acelerar investimentos em inovação. A meta é chegar a R$ 1 bilhão de receita em cinco anos, com uma margem Ebitda de 20% - mais do que o dobro do índice atual, de 9%.

“Estou trabalhando nesta oportunidade há um ano e meio. O Eduardo foi informado que o grupo francês estava se desfazendo das operações de genéricos no mundo. E ele buscou compradores, para que a empresa pudesse ter continuidade. E voltar para o comando brasileiro seria muito positivo”, diz Libbos, em entrevista ao NeoFeed, sem revelar o valor desembolsado para a aquisição.

Nesse novo formato, a empresa passará a se chamar Merrell Lepetit, farmacêutica que funcionou no Brasil entre as décadas de 1960 e 1980 e surgiu a partir da fusão da americana Merrell Dow e da brasileira Lepetit. Hoje, a marca pertence justamente à Libbos, que atuou na antiga companhia. O nome Pharlab será usado para a divisão de genéricos da nova companhia.

Antes da compra, o investidor já estava desenvolvendo o retorno da Merrell Lepetit, com produtos de prescrição médica e de OTC (medicamentos de venda livre). Faltava, então, um plano para a área de genéricos para completar o portfólio. A possibilidade da compra da Pharlab, então, se encaixava bem neste momento.

“Chamei um grupo de investidores e apresentei um plano de negócios. Agora, vamos fazer a mudança de nome, com a divisão de prescrição e OTC com a nova marca, e a área de genéricos ainda com Pharlab. E queremos entrar em produtos de beleza e nutricionais”, diz Libbos, que atua há pelo menos cinco décadas no setor farmacêutico.

Segundo o empresário, a mudança de nome tem relação com a conexão que a marca Merrell Lepetit sempre teve com o universo médico no período em que esteve em atividade. Como uma empresa de genéricos, a Pharlab nunca teve ação ligada à visitação médica, o que, de certa forma, a distancia do profissional de saúde.

A Merrell Lepetit lançou no Brasil, na década de 1960, o antisséptico bucal Cepacol, marca que hoje pertence à Hypera Pharma.

Está nos planos da nova empresa também atuar no desenvolvimento de pesquisa para medicamentos inovadores. A ideia é lançar os remédios referência, de prescrição, e sair com uma linha de genéricos. A Pharlab foi a primeira a lançar no Brasil o genérico do Venvanse, para tratamento de TDAH, em junho de 2024, quando expirou a patente da japonesa Takeda.

Com sede na cidade mineira de Lagoa da Prata, a Pharlab tem um parque industrial com capacidade para produzir 12 milhões de unidades por mês das 160 apresentações de medicamentos que a empresa fabrica hoje.

Nelson Libbos (esq.), presidente do conselho, e Eduardo Martins, CEO da Pharlab

Nesta unidade, a empresa irá relançar, antes do inverno deste ano, o Resprin, um antigripal que foi muito popular no Brasil na década de 1990 e início de 2000 e que não teve a marca renovada pela Johnson & Johnson.

Com isso, o grupo de Libbos registrou o nome no Brasil, dentro dos critérios estabelecidos pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi), e desenvolveu os dossiês para o registro do medicamento.

“É um nome muito conhecido e sempre foi muito forte no País. Por algum motivo, eles abandonaram a marca, como aconteceu em muitos outros casos”, conta o investidor. Serão seis apresentações do medicamento, nas áreas de gripe e resfriado.

Outro que será relançado em 2026 será o colírio Lerin, que também deixou de ser comercializado pela Allergan. “Este produto também tem um recall enorme. E vamos recuperar isso. A Allergan foi vendida pela AbbVie, que não tem o mínimo interesse em colírio e sim em botox”, afirma.

No primeiro ano, a empresa pretende vender 1,8 milhão de caixas do Resprin, que deve representar R$ 14 milhões de faturamento. O Lerin deve alcançar R$ 7 milhões, com 1,2 milhão de caixas.

Mas esses não serão os únicos. Na prateleira da nova empresa estão, segundo Libbos, cerca de 80 estudos de produtos com dossiê de bioequivalência de genéricos, para serem lançados como medicamentos de prescrição, já sob a marca Merrell Lepetit.

“A prescrição amplia o espaço do genérico nas farmácias. Posso lançar os dois. Elas não competem entre si. Esta decisão está na mão do consumidor, que pode escolher o que for mais conveniente”, explica.

Na receita da nova farmacêutica, o genérico terá uma participação acima de 50%. O OTC terá 20%, e o de prescrição, perto de 30%. No caso da rentabilidade, a prescrição deve liderar.

Com a fábrica aprovada pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA), que tem atuação semelhante à Anvisa, a empresa pretende fazer parcerias com farmacêuticas estrangeiras e exportar os medicamentos produzidos em Minas Gerais.