O Inter encerrou 2025 consolidando crescimento acelerado com rentabilidade sustentável. Essa era uma equação que o mercado sempre questionava no modelo dos bancos digitais, mas a instituição financeira expandiu sua carteira de crédito em 36% no ano passado - mais de três vezes o ritmo do mercado brasileiro -, elevou o lucro líquido em 45% e atingiu retorno sobre patrimônio (ROE) de 15,1%.
“Temos duas restrições claras. Não sacrificar o futuro por um presente mais bonito e não oferecer produtos que não façam sentido para o cliente”, diz Santiago Stel, CFO do Inter&Co, ao NeoFeed.
O crescimento do Inter foi concentrado em linhas consideradas mais estruturais e resilientes, como consignado privado, home equity, crédito imobiliário e cartão voltado a clientes transacionais.
“São produtos bons para o cliente e bons para a qualidade futura da carteira. Não estamos falando de crédito ‘clean’ com risco mais volátil”, afirma o CFO.
A carteira imobiliária cresceu quase 50% no ano, enquanto o consignado privado, que é operado de ponta a ponta pelo SuperApp do banco digital, se consolidou como um dos destaques. E fez o lucro líquido avançar 45% no ano contra ano e somar R$ 1,3 bilhão em 2025.
Além do crescimento da carteira, o Inter avançou na rentabilidade unitária. A receita média mensal por cliente ativo (ARPAC) líquido alcançou R$ 35, enquanto o custo de servir ficou em R$ 13,80, resultando em uma margem líquida recorde de R$ 21,20 por cliente ao mês.
“O banco tem muita alavancagem operacional. Podemos absorver um volume muito maior de negócios, e esse crescimento entra com uma margem incremental mais alta”, afirmou Stel.
A métrica tech
A combinação entre expansão da base, aprofundamento de relacionamento e eficiência sustentou o avanço do lucro, com ROE de 15% e a tese do “rule of 40”
Ao combinar crescimento de receita próximo de 30% com ROE de 15%, o banco atinge uma soma de cerca de 45% - acima da chamada “rule of 40”, métrica usada no setor de tecnologia para avaliar o equilíbrio entre expansão e geração de retorno. “O patamar de 40% é considerado excelência, e estamos acima disso”, diz Stel.
O retorno sobre patrimônio acima de 15% marca uma nova fase para o Inter, que durante anos priorizou crescimento de base e construção de ecossistema. Para Stel, a trajetória de melhora consistente no ROE, que tem sido sustentada ao longo dos últimos trimestres, tende a continuar.
“O lucro vai para o patrimônio líquido e financia o crescimento futuro. Precisamos encontrar esse “sweet spot” entre expansão e rentabilidade”, afirma o CFO.
Embora tenha adicionado 4,4 milhões de clientes ativos no ano, chegando a 25 milhões de clientes ativos - de um total de 43,1 milhões -, o Inter vê espaço relevante para expandir receita dentro da própria base.
Hoje, a carteira de crédito dividida pelo número de clientes ativos resulta em cerca de R$ 2 mil por cliente, um patamar considerado baixo pelo banco.
“Há muito espaço para ampliar a receita de crédito dentro da nossa base. O estoque é grande e tem potencial relevante”, diz Stel.
Para 2026, a estratégia mantém o foco em seguir adicionando cerca de 1 milhão de clientes ativos por trimestre, aprofundar a monetização e ampliar a participação de produtos de maior qualidade e retorno.
Na Nasdaq, a ação do Inter acumula valorização de 68,6% em 12 meses, até 10 de fevereiro. Em 2025, a alta é de 9,55%. O valor de mercado é de US$ 4,1 bilhões - cerca de R$ 21,2 bilhões.