O Agibank pode levantar até US$ 903,3 milhões em sua oferta pública inicial de ações (IPO), considerando o topo da faixa de preço estimada por ação, segundo a mais recente versão do prospecto da operação, protocolado na quinta-feira, 29 de janeiro, na Securities and Exchange Commission (SEC).
O valor considera que o banco digital conseguirá colocar sua oferta-base de 43.636.364 ações classe A, com um lote adicional de 6.545.455 papéis. A faixa de preço estimada varia de US$ 15 a US$ 18, com o ponto médio do intervalo sendo de US$ 16,50. Segundo uma fonte ouvida pelo NeoFeed, o valuation fica entre 9,5 vezes e 11,5 vezes o lucro.
A operação envolverá também a listagem de ações classe B, que dão direito a 10 votos por unidade, enquanto as ações ordinárias classe A têm direito a um voto. Os papéis classe B não serão listados e permanecerão nas mãos de Marciano Testa, fundador e controlador do Agibank.
Atualmente, a participação de Testa no banco é estimada em cerca de 70%. O Agibank conta com a Vinci Compass em sua base de acionistas, com pouco mais de 19% do capital, e com a Lumina, de Daniel Goldberg, com aproximadamente 4%.
As ações serão listadas na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) sob o ticker AGBK, com a precificação marcada para 10 de fevereiro.
Os detalhes do IPO foram divulgados no mesmo dia em que o PicPay estreou na Nasdaq, com expectativa de replicar os resultados. A fintech da J&F Investimentos viu a demanda pelos papéis superar 12,9 vezes o book. Com isso, exerceu o hot issue e levantou US$ 490 milhões.
O Agibank lançou a operação após reverter a suspensão imposta pelo INSS no ano passado, que o impedia de receber novas averbações de crédito consignado, um baque em sua principal linha de receita.
No prospecto, o Agibank informa que pretende utilizar os recursos do IPO para “fins corporativos gerais”. O banco quer alcançar R$ 100 bilhões em concessão de crédito até 2030, plano que inclui ampliar presença física no País, atingindo 2,5 mil unidades no período, conforme revelaram executivos ao NeoFeed no fim de 2024.
O banco também afirma que poderá destinar parte dos recursos para “adquirir ou investir em empresas, produtos, serviços ou tecnologias”.
O Agibank registrou lucro líquido de R$ 875,5 milhões nos primeiros nove meses do ano, alta de 35,4% em relação ao mesmo período de 2024. O retorno sobre patrimônio líquido (ROAE) foi de 40,9% nos últimos 12 meses.
A carteira de crédito atingiu R$ 33,8 bilhões, aumento de 54,3% na comparação anual, enquanto a receita líquida subiu 54%, para R$ 8,1 bilhões.
O Agibank está sendo assessorado por Goldman Sachs, Morgan Stanley, Citi, Bradesco BBI, BTG Pactual, Itaú BBA, Santander, Société Générale, XP Investimentos e Oppenheimer.