Lançado em março de 2025, o novo consignado privado chegou ao mercado com a bandeira de tornar o crédito mais acessível aos trabalhadores com carteira assinada e estimular a economia. Exatamente um ano depois, o programa parece estar com crédito. Ao menos na visão do Bank of America.
Em relatório enviado a clientes nesta sexta-feira, 13 de março, o banco americano aponta que essa modalidade ganhou tração, tornando-se "o novo motor de crescimento do consumo", o que se reflete em alguns números acumulados nessa esteira.
O BofA destaca que as concessões de consignado privado somaram R$ 110 bilhões nos últimos 11 meses, seis vezes mais do que o montante registrado em todo o ano de 2024. E representaram 6% do total de empréstimos pessoais, excluindo aqueles com garantia, no período, contra 2%, um ano antes.
Sob esse avanço, creditado pelo banco a oferta repaginada dessas operações, o saldo de empréstimos consignados privados dobrou para R$ 83 bilhões em janeiro de 2026. Nesse contexto, o relatório também aponta quais bancos estão impulsionando e surfando essa onda.
“O Itaú tem liderado a originação de empréstimos, com uma participação de mercado de 18%, explicada, principalmente, pela migração do produto legado, no qual era líder”, escreve o BofA. Em junho de 2025, a fatia do banco nesse espaço era de 10%.
Quem ocupa o segundo lugar é o Banco do Brasil, com uma fatia de 13%, o que, segundo os analistas do BofA, reflete os esforços da instituição para diversificar sua carteira de crédito para pessoas físicas – até então, o consignado privado não fazia parte do portfólio do BB.
O Santander completa esse pódio, com uma fatia de 11%. Seguido, de perto, por Parati e Caixa Econômica Federal, ambos com uma participação de 8%. Já o Bradesco tem se tornado mais ativo no segmento e está na sexta colocação, com 6%.
Ao mesmo tempo, os analistas do BofA destacam o crescimento de dois players com pegada digital nessa modalidade: o Inter e o PicPay, com participações de 3% e 2%, respectivamente, contra os índices de 0,9% e 0,6% da dupla no volume total de empréstimos pessoais.
“Estimamos que os empréstimos consignados privados já representem cerca de 5% a 20% das carteiras de crédito do Inter e do PicPay, respectivamente”, ressalta o banco americano.
Na direção contrária desses seus dois pares, o Nubank, por sua vez, tem uma participação de apenas 0,4% no consignado privado, ante um market share de 5% no volume total de crédito concedido aos consumidores.
Os analistas também observam que os bancos incumbentes operam com valores mais altos e acordos de prazos mais extensos nesse espaço, com um tíquete médio de R$ 5,8 mil e duração de 25 meses por contrato. Contra a média de R$ 3,6 mil e 25 meses dos players digitais – Inter, PicPay e Nubank.
No relatório, o BofA destaca ainda a expectativa de que essa alternativa ganhe ainda mais impulso no segundo semestre de 2026, à medida que a possibilidade de usar o saldo do FGTS como garantia para essas operações se torne válida.
Em outra ponta relacionada ao consignado privado, os analistas do banco citam as notícias recentes informando que o governo federal pode implementar tetos nas taxas de juro para coibir abusos nessa oferta. E acrescentam: “Embora essa iniciativa ainda esteja em discussão, acreditamos que sua implementação seja difícil, pois o risco de crédito não é uniforme entre todos os trabalhadores.”