Pouco mais de dois meses após ser escolhido como novo CEO da Disney, Josh D’Amaro prepara um corte profundo no quadro de funcionários, em meio à cobrança dos investidores por crescimento.
A companhia planeja demitir mais de 1 mil funcionários nas próximas semanas, com boa parte dos cortes ocorrendo no departamento de marketing, recentemente consolidado, segundo o jornal americano The Wall Street Journal (WSJ).
As demissões se juntam às mais de 8 mil vagas que foram extintas desde que o antecessor de D’Amaro, Bob Iger, retornou como CEO em 2022 e iniciou uma grande reestruturação.
A Disney empregava cerca de 231 mil pessoas ao fim do ano fiscal de 2025, encerrado em 27 de setembro. Desse total, cerca de 80% trabalhavam na divisão de experiências, que agrupa os parques temáticos e a parte de produtos.
A maioria das últimas demissões ocorreu nas áreas de entretenimento, nos canais esportivos ESPN e em operações corporativas, enquanto os parques temáticos e a linha de cruzeiros apresentaram crescimento.
As demissões têm sido uma constante no mercado de entretenimento dos Estados Unidos, com os estúdios se ajustando a uma nova realidade de resultados menores em função de menores ganhos com o streaming.
O retorno com essas plataformas é menor do que aquele que as empresas tinham com televisão, além de reduzir as receitas com bilheteria, com menos pessoas indo aos cinemas.
Concorrentes como a Sony Pictures, Paramount e Warner Bros. Discovery também reduziram o quadro de funcionários nos últimos anos. E mais demissões são esperadas caso a Paramount conclua a aquisição da Warner.
No caso da Disney, elas ocorrem em um momento em que D’Amaro tenta se consolidar no cargo, depois da primeira tentativa de substituir Iger como CEO, que acabou sendo um fiasco.
A companhia foi duramente cobrada por investidores a se ajustar e apresentar resultados. Em 12 meses, as ações da Disney acumulam queda de 6%, uma melhora em relação ao visto em fevereiro, quando os papéis recuavam 18,4%. O valor de mercado da companhia soma atualmente US$ 176,8 bilhões.
Essa situação foi um dos fatores que levaram o investidor ativista Nelson Peltz a iniciar uma campanha contra Iger, gerando muita volatilidade e manchetes de jornais. No fim, o experiente executivo da Disney levou a melhor, depois de assumir o compromisso de reestruturar as operações.
Desde que assumiu como CEO, no mês passado, D’Amaro não apresentou planos específicos para reformular a Disney. Pessoas próximas à empresa ouvidas pelo WSJ afirmaram que uma de suas prioridades é fazer com que as diferentes divisões colaborem de forma mais rápida e eficiente.