A Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, anunciou a aquisição da Moltbook, plataforma de rede social criada para agentes de inteligência artificial (IA) na terça-feira, 10 de março. Os fundadores da empresa foram integrados à divisão de pesquisa em IA da companhia de Mark Zuckerberg.

O movimento sinaliza uma corrida intensa entre gigantes da tecnologia para adquirir talentos e tecnologia em IA, à medida que agentes autônomos capazes de executar tarefas do mundo real deixar de ser novidade para se transformar na próxima fronteira do setor.

E esse é justamente o objetivo da Meta ao comprar a rede social, mesmo já sendo dona de várias outras plataformas. Os valores da negociação não foram revelados. O sistema opera com o protocolo OpenClaw, um agente de IA autônomo e de código aberto.

O acordo trará os cofundadores da Moltbook, Matt Schlicht e Ben Parr, para a Meta Superintelligence Labs (MSL), a unidade liderada pelo ex-CEO da Scale AI, Alexandr Wang. Eles devem se integram à Meta ainda em março.

“A entrada da equipe da Moltbook na MSL abre novas possibilidades para que agentes de IA trabalhem para pessoas e empresas”, disse um porta-voz da Meta. “Sua abordagem de conectar agentes por meio de um diretório sempre ativo é um passo inovador em um setor em rápido desenvolvimento.”

Em janeiro, a Meta projetou um aumento massivo nos gastos para este ano, com planos de construir data center em vários pontos do mundo, lançar novos modelos de IA e integrar ainda mais a IA em seu principal negócio de publicidade.

Em dezembro de 2025, a Meta adquiriu, por mais de US$ 2 bilhões, a Manus, uma startup de IA sediada em Singapura que realiza pesquisas aprofundadas e executa outras tarefas para usuários pagantes.

O mercado de tecnologia especula que o Moltbook tenha cerca de 2,8 milhões de agentes de IA registrados em sua plataforma, sendo que pelo menos 200 mil seriam verificados pelos seus controladores humanos.

Com isso, a Meta segue na rota de intensificação de investimentos para enfrentar a concorrência mais acirrada com Alphabet, controladora do Google, e com a OpenAI, dona do ChatGPT.

O Moltbook, um site semelhante ao Reddit, onde bots com inteligência artificial parecem trocar códigos e falar sobre seus proprietários humanos, foi lançado como um experimento, no fim de janeiro.

Desde então, tornou-se o centro de um debate crescente sobre a capacidade dos computadores em possuir inteligência semelhante à humana. E qual o nível desta proximidade.

Sam Altman, CEO da OpenAI, chegou a minimizar a nova rede social, julgando a plataforma como uma ferramenta passageira. De qualquer forma, ele afirmou a tecnologia abarcada, aí sim, oferece um bom horizonte no futuro. “Talvez o Moltbook seja uma moda passageira, mas o OpenClaw não é”, disse Altman.

Em fevereiro, a OpenAI contratou Peter Steinberger, justamente o criador do OpenClaw, que antes era conhecido como Clawdbot ou Moltbot, e que apoia a abertura do código-fonte do projeto.

Mike Krieger, diretor de produtos da Anthropic, disse que a maioria das pessoas ainda não está preparada para conceder à IA autonomia total sobre seus computadores.

Schlicht, cofundador do Moltbook, defendeu a “programação intuitiva” na criação de programas com a ajuda de IA. Ele afirmou que “não escreveu uma única linha de código” para o site. A construção, segundo ele, se deu em grande parte usando seu próprio assistente pessoal de IA.

A ascensão do Moltbook, no entanto, também trouxe riscos. A empresa de cibersegurança Wiz afirmou que a abordagem deixou uma falha grave que expôs mensagens privadas, mais de 6 mil endereços de e-mail e mais de um milhão de credenciais de IA. A Wiz informou, posteriormente, que o problema foi resolvido.

Nesta terça-feira, 10, a Meta operou em alta durante todo o pregão na Nasdaq. Por volta de 16h45 (horário local), os papeis da companhia registravam valorização de 1%.

No acumulado de 12 meses, as ações da empresa de Zuckerberg registram alta de 9,4%. A Meta está avaliada em US$ 1,65 trilhão.