O desempenho do Nubank no primeiro trimestre de 2026 superou em partes a expectativa do mercado. Em receita e volume de clientes, superou o consenso de 19 analistas que cobrem o banco digital, divulgado pelo BTG. Mas ficou abaixo do previsto no lucro líquido e no ROE.

Entre janeiro e março, a instituição financeira registrou receita líquida de US$ 5,3 bilhões, alta de 42% sobre o mesmo período do ano passado - a expectativa do mercado era US$ 4,93 bilhões. O número de clientes chegou a 135,2 milhões, sendo 115 milhões no Brasil, 15 milhões no México e cinco milhões na Colômbia.

No lucro líquido, o Nubank reportou US$ 871,4 milhões, um avanço de 41% sobre o mesmo período do ano anterior. Só que os principais analistas financeiros previam US$ 918 milhões. O ROE, de 29%, apesar de ter crescido 2 pontos percentuais, também ficou abaixo do previsto, de 31,1%.

“Como nossa carteira de crédito cresceu mais do que o mercado esperava, a nossa política contábil prevê provisionar um valor maior e de forma antecipada. Se a gente tivesse crescido nos termos que o mercado espera, teríamos batido o consenso de longe”, diz Guilherme Lago, CFO do Nubank, em entrevista ao NeoFeed.

A perda de crédito esperada, reportada no balanço, foi de US$ 1,71 bilhão, contra US$ 973 milhões do primeiro trimestre de 2025. Isso representa um aumento de 75,74% nas provisões em 12 meses.

Um ponto de destaque do balanço do primeiro trimestre foi o resultado alcançado no México, ao atingir o breakeven após seis anos de operação. A companhia chegou ao patamar bem antes do que no Brasil, quando foram necessários oito anos para chegar ao ponto de equilíbrio. Hoje, o banco já é a terceira maior instituição financeira no mercado mexicano.

“A monetização e a eficiência estão indo bem mais fortes do que no Brasil. Estamos muito animados com esta operação. Isto comprova que a estrutura do modelo de negócio no Brasil é aplicável em outros países”, afirma o executivo.

O portfólio de crédito consolidado, que inclui o volume de empréstimos e de cartão de crédito, cresceu 40% no trimestre, com US$ 37,2 bilhões. Os depósitos somaram US$ 42,4 bilhões, alta de 22%.

Mesmo com o crescimento registrado no volume de receita e no aumento de cerca de quatro milhões de clientes no trimestre, o Nubank opera hoje com market share de 7% em relação à rentabilidade do setor de varejo no Brasil.

“Há um crescimento esperado no setor financeiro no Brasil de pelo menos 50% nos próximos cinco anos. Isso representa uma oportunidade muito grande para a gente ganhar mais participação de mercado”, afirma Lago.

À espera da licença bancária plena nos Estados Unidos, que deve ocorrer entre 12 e 18 meses, o Nubank planeja um volume de gastos operacionais no país, entre 2026 e 2027, de até 100 pontos-base do índice de eficiência, hoje em 17,6%.

“Se a gente tiver sucesso nos Estados Unidos, será a porta de entrada para o maior mercado bancário do mundo. E isso é muito relevante. O custo de desenvolver uma plataforma nos Estados Unidos será muito palatável”, explica.

No trimestre, a inadimplência de 15 a 90 dias registrou alta de 0,9 ponto percentual (NPL de 5%), mas teve queda de 0,1 ponto quando a dívida é superior a três meses (NPL de 6,5%). E é justamente este público que deve ser favorecido com o novo programa Desenrola, lançado recentemente pelo governo federal.

“Uma parcela relevante dos nossos clientes vai se beneficiar do programa. A gente aderiu no primeiro dia. Não consigo ver um resultado que não seja muito positivo para os clientes e pelo menos neutro para o Nubank. O Desenrola é muito bem-vindo”, afirma o CFO.

Outro ponto, na avaliação de Lago, que deve ajudar na renda dos usuários dos serviços bancários do Nubank é o início da aderência da mudança da regra da isenção do Imposto de Renda, que passou a beneficiar os que recebem até R$ 5 mil.

“Isso vai aumentar uma renda para uma parcela muito grandes para nossos clientes. As duas situações são muito positivas. Há uma avenida grande para crescer neste sentido.”

No acumulado de 2026, as ações do Nubank registram queda de 22,7% na Nyse. A companhia tem valor de mercado de US$ 62,8 bilhões.