Em meio às preocupações em relação à qualidade dos ativos, diante do cenário de juros em alta, o Nubank fechou o segundo trimestre de 2026 com resultado recorde na linha de lucro e no retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), ao mesmo tempo em que registrou forte expansão em sua margem financeira líquida ajustada ao risco.

O banco fundado por David Vélez informou na quinta-feira, 13 de agosto de 2026, que fechou o trimestre com um resultado líquido de US$ 1,1 bilhão, superando pela primeira vez esse valor bilionário em um trimestre.

O resultado representa uma alta de 17% frente ao trimestre anterior e de 49% em relação ao mesmo período do ano passado. O valor veio bem acima da média das projeções coletadas pela Bloomberg, que apontavam para um lucro líquido de US$ 871 milhões.

O ROE encerrou o intervalo em 33%, superando os 29% dos três primeiros meses do ano e os 28% do mesmo período de 2025. “Os dados mostram que nossa postura geral e nosso modelo continuam funcionando. Estamos conquistando clientes e garantindo uma gestão de crédito extremamente rigorosa”, afirma Rob Livingston, CFO do Nubank, ao NeoFeed.

Os investidores reagiram positivamente ao balanço. No pós-mercado da Bolsa de Nova York (NYSE), as ações do Nubank subiam 7,75% perto das 18h36, a US$ 15,01. No ano, os papéis acumulam queda de 21,9%, levando o valor de mercado a US$ 67,3 bilhões.

Em sua primeira divulgação de resultados como responsável pelas finanças do Nubank, cargo que assumiu em julho, Livingston destaca a evolução da margem ajustada ao risco, que aumentou 2,9 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior, para 12,4%.

Enquanto analistas demonstraram preocupação com a qualidade da carteira de crédito, o CFO ressalta que o banco conseguiu equilibrar a expansão da carteira, sem correr grandes riscos.

O balanço mostra que a receita financeira líquida de juros (NII) chegou a US$ 3,7 bilhões, alta de 9% em base trimestral, com a carteira de crédito total expandindo 37% em base anual e 5% em relação ao trimestre anterior, para US$ 39,4 bilhões. Já a margem líquida de juros avançou 1,8 ponto percentual para 22,9%.

O custo do crédito caiu 9% na comparação com o trimestre anterior, para US$ 1,7 bilhão, em função da melhora sazonal observada nos atrasos iniciais durante o período.

Segundo Livingston, o índice de inadimplência ficou dentro das expectativas. No trimestre, o NPL acima de 90 dias aumentou em 0,4 ponto percentual em base trimestral e anual, para 6,9%. O NPL entre 15 e 30 dias caiu 0,2 ponto percentual comparado ao trimestre anterior e subiu 0,3 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025, para 4,8%.

Ele explica que a formação líquida de NPL acima de 90 dias aumentou por conta da sazonalidade, diante da alta nos empréstimos inadimplentes em estágio inicial no trimestre anterior. No período seguinte, eles avançaram no ciclo e apareceram um mês depois.

“Não aumentou por causa de nenhum impacto de risco de crédito desconhecido ou de qualquer efeito recessivo que possamos observar externamente”, diz.

O CFO afirma que o plano é continuar expandindo o crédito nos próximos trimestres, reforçando que a gestão de risco é adequada e até conservadora, com a concessão estruturada para ser resiliente.

“Quando avaliamos o sucesso da nossa estratégia, a margem financeira líquida ajustada ao risco é a melhor métrica para observar, porque ela mede quanto retorno você está obtendo em relação ao risco que está assumindo. E o fato de essa métrica ter aumentado quase 300 pontos-base na comparação trimestral me dá muita confiança na força do modelo.”

O Nubank não quer perder tração. No trimestre, o banco adicionou aproximadamente 4 milhões de clientes, atingindo 139 milhões globalmente, alta de 13% em base anual. No Brasil, chegou a quase 118 milhões.

A receita total avançou 39% em base anual e 6% na comparação trimestral, para US$ 5,9 bilhões. A receita média mensal por cliente ativo (Arpac, na sigla em inglês) atingiu aproximadamente US$ 17, crescendo 3% em relação ao trimestre anterior e 22% na comparação anual.

A taxa de atividade mensal avançou em relação ao trimestre anterior para 83,5%, ultrapassando 86% no Brasil pela primeira vez.

Em relação às operações internacionais, Livingston diz que após atingir o breakeven no México, a operação deve voltar a apresentar perdas nos próximos trimestres, diante da perspectiva de mais investimentos, sobretudo após a obtenção da licença bancária.

O Nubank chegou a 15,8 milhões de clientes no México, atendendo 16,5% da população adulta, comparável ao Brasil em 2020. No entanto, a monetização foi alcançada mais cedo, com Arpac de US$ 12,3, ante US$ 5,6 no Brasil no mesmo estágio.

Sobre a chegada aos Estados Unidos, o CFO diz que o Nubank está comprometido “com uma abordagem disciplinada de testes e lançamento no mercado”. Em janeiro, o Nubank recebeu aprovação condicional do Escritório do Controlador da Moeda (OCC, na sigla em inglês) para estabelecer um banco nacional no país.

“Ainda temos cerca de um ano antes de precisarmos lançar um banco no mercado. Estamos nos preparando para esse momento”, afirma.