Um dos grandes símbolos por trás do furor da inteligência artificial (IA), a OpenAI aguçou ainda mais o interesse do mercado com seus planos de abertura de capital neste ano. Mas, ao que tudo indica, os investidores terão de esperar mais um pouco pela oferta.
Essa é, ao menos, a informação do The New York Times. De acordo com o jornal americano, que cita fontes próximas à empresa, a dona do ChatGPT está inclinada a adiar sua oferta pública inicial de ações para 2027.
Caso essa reviravolta na listagem se confirme, o movimento viria apenas algumas semanas depois de a OpenAI protocolar um pedido confidencial na Securities and Exchange Commission (SEC) para o seu IPO nos Estados Unidos. O rito foi cumprido no início deste mês.
Como parte desse processo, a companhia contratou bancos e escritórios de advocacia mirando um IPO no terceiro ou no quarto trimestre desse ano. Nessa direção, Sam Altman, cofundador e CEO da empresa pressionou os consultores a encontrar um caminho para uma avaliação de US$ 1 trilhão.
Esse montante superaria o valuation de US$ 730 bilhões alcançado em fevereiro, quando a empresa captou uma rodada de US$ 110 bilhões, com recursos injetados por empresas como Amazon, Softbank e Nvidia.
Alguns fatores ajudam a explicar o fato de a OpenAI estar avaliando recalcular esse roteiro. O principal deles atende pelo nome de SpaceX. Em 11 de junho, a companhia de Elon Musk registrou o maior IPO de todos os tempos, levantando US$ 75 bilhões e alcançando um valor de mercado de US$ 1,77 trilhão.
Entretanto, após atingirem um pico de US$ 201,80, em 16 de junho, as ações da SpaceX entraram em uma curva descendente. Desde então, levando-se em conta o pregão da quinta-feira, 25 de junho, os papéis registram uma queda de mais de 24%.
Em outro ponto, os mercados globais também têm registrado instabilidade, com as ações de tecnologia pressionando os índices para baixo. A principal razão são os questionamentos de investidores sobre as promessas feitas justamente pelas empresas de IA.
Esse contexto foi discutido em reuniões na semana passada e levou os assessores da OpenAI na listagem a alertarem sobre a possibilidade de não haver muito entusiasmo por parte dos investidores de varejo em relação às ações da companhia.
Se esses conselhos forem seguidos, a decisão da OpenAI de colocar um pé no freio em seu IPO pode decepcionar Wall Street. Na visão de investidores, a listagem da empresa e também da Anthropic, sua maior rival, figuravam entre as principais apostas para reanimar esse mercado.
Nesse cenário, os consultores da OpenAI apresentaram aos executivos a opção de esperar até 2027 para abrir capital com o valuation trilionário almejado pela empresa. Ou, em uma segunda alternativa, reduzir essa ambição para uma abertura de capital mais rápida.
Entretanto, de acordo com as fontes ouvidas pelo The New York Times, essa segunda opção teria sido rechaçada por Altman, que teria respondido que qualquer mudança no valuation de US$ 1 trilhão estava fora de cogitação.
Seja qual for o caminho escolhido, o fato é que um valor de mercado de US$ 1 trilhão seria impressionante para uma empresa que, ao que tudo indica, ainda não obteve lucro e segue investindo pesadamente em sua operação.
Ao mesmo tempo, esse apetite contrasta com o discurso de Sarah Friar, CFO da empresa, no fim de 2025. Na época, a executiva disse que a OpenAI não estava buscando um IPO pois estava focada em equilibrar suas finanças.
Da teoria à prática, a OpenAI vem desmentindo esse discurso. A empresa segue investindo em frentes como data centers, poder computacional, marketing e na contratação de profissionais de peso de rivais como Meta e Google. E não tem mostrado indícios de que irá fechar essa torneira.
Em paralelo, a companhia tem buscado outras fontes de receita, uma estratégia que passa por áreas como a inserção de publicidade dentro do ChatGPT e por acordos com empresas como Shopify e Stripe, que permitiram aos usuários comprar produtos diretamente na ferramenta.
Nessa direção, as fontes disseram que a OpenAI reportou uma receita de aproximadamente US$ 13 trilhões em 2025. E que a projeção é triplicar essa cifra em 2026.
Enquanto persegue esses números, a companhia também tem enfrentado dificuldades na competição com a Anthropic, cujas plataformas vêm conseguindo cada vez mais espaço no mercado corporativo. Já entre os consumidores, quem vem avançando é o Gemini, do Google.