A Bitget, uma das maiores corretoras de criptoativos do mundo, está em busca de parceiros na América Latina para acelerar os negócios na região, vista como estratégica nos planos de expansão global da companhia.
“Vemos muitas oportunidades. Estamos em conversas com empresas locais, não necessariamente de cripto, mas fintechs e novos bancos, para avaliar uma joint venture e expandir na América Latina. Estou fazendo isso agora”, afirma Gracy Chen, CEO da Bitget, em entrevista ao NeoFeed.
Com sede em Seychelles, a Bitget tem passado por um forte processo de crescimento desde 2023, quando recebeu um aporte de US$ 10 milhões da Dragonfly Capital, uma firma de venture capital especializada em cripto e blockchain e com sede na Califórnia.
No segundo trimestre deste ano, a Bitget alcançou 120 milhões de clientes cadastrados na plataforma, cinco vezes maior do que o registrado no fim de 2023 e 20% acima do mesmo período do ano passado.
Em volume negociado, a corretora figura entre as cinco maiores do mundo, segundo a plataforma Gecko, movimentando cerca de US$ 5 bilhões por dia. A expansão colocou a Bitget em posição de competir em condições de igualdade com corretoras como Crypto.com e Bybit, no segundo escalão, enquanto a Binance mantêm a liderança isolada, com mais de 5 vezes o volume de negociação dessas empresas.
Chen, que assumiu a liderança global no ano passado, está na Bitget desde 2022 e foi peça importante desse crescimento. Ainda como diretora, a executiva foi responsável por estabelecer uma rede global de afiliadas e por estratégias de publicidade.
Nos últimos anos, a empresa contou com Lionel Messi como embaixador da marca e fechou patrocínios com times de futebol como Juventus, da Itália, e Galatasaray, da Turquia.
O interesse em reforçar as operações na América Latina, segundo Chen, está relacionado ao potencial de expansão da região. No primeiro semestre, o número de usuários cresceu 63,3%, enquanto o volume de negócios aumentou 159% em comparação ao mesmo período do ano passado.
“Vemos muito potencial para a América Latina, pois é uma região em que temos visto muito crescimento”, diz Chen. De acordo com a executiva, a estratégia envolve atendimento localizado e soluções adaptadas à demanda regional.

Uma das apostas é um cartão de débito com transações em USDC, a stablecoin da Circle, sem cobrança de taxas para pagamentos em dólar. Em outras moedas, há uma taxa de conversão de 1,7%. O cartão foi lançado no Brasil em agosto e deve ser expandido para Argentina, Colômbia, Chile, México, Peru e Guatemala.
Na região, as principais operações da Bitget na região estão na Argentina, Colômbia, México e Brasil, este com os maiores índices de crescimento. No mercado brasileiro, a empresa registrou aumento de 173% no número de usuários e de 404% no volume negociado no primeiro semestre.
“Temos uma operação mais voltada para o varejo, mas o Brasil é um país em que estamos buscando mais clientes institucionais, devido à maior profundidade do mercado financeiro”, afirma a CEO.
Para fortalecer a presença local, a Bitget nomeou, em fevereiro, Guilherme Prado como primeiro country manager no Brasil. Nome já conhecido do setor, ele esteve à frente da expansão da Bybit na região nos três anos anteriores.
Apesar do rápido crescimento, a Bitget ainda segue relativamente pequena no Brasil, ainda atrás de concorrentes locais como Mercado Bitcoin e Foxbit. O cenário tampouco é mais fácil em outros países da região, como Argentina, onde a Ripio é dominante, e no México, de onde é a Bitso.
Até então, somente a Binance conseguiu replicar sua dominância global na região. Mas, se manter o ritmo, a Bitget é candidata a brigar entre as maiores.