Em meio à disparada do preço do barril do petróleo no mercado internacional, causada pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, com o Brent chegando a US$ 90 ao longo da sexta-feira, 6 de março, a Petrobras busca manter a calma.

Amparada nos resultados do quarto trimestre de 2025, em que o aumento da produção garantiu desempenho positivo, a estatal entende que está preparada para enfrentar qualquer cenário e não vê motivos para alterar o rumo.

Isso significa que a política de preços - que prevê não repassar a volatilidade aos consumidores - e o plano de investimentos para os próximos cinco anos permanecem inalterados.

“Sem dúvida estamos vivendo um momento de alta instabilidade geopolítica, onde a preocupação é deixar a empresa preparada para qualquer cenário”, disse a CEO da Petrobras, Magda Chambriard, em teleconferência com analistas.

“O cenário está exacerbado, mas a política de preços persiste íntegra e sólida. Observamos as paridades internacionais de petróleo e derivados, mas sem repassar volatilidade excessiva”, completou.

Ela acrescentou que o cenário é altamente incerto e que o melhor a fazer é observar antes de considerar mudanças na política. “Neste momento, todos nos perguntamos qual é a tendência do mercado. Se é um spike momentâneo e mudamos a regra à toa, ou se é algo mais persistente”, afirmou.

A Petrobras segue com sua programação, importando e exportando conforme necessário, sem alterações nas operações das refinarias.

Na mesma linha, o CFO Fernando Melgarejo afirmou que essa postura também vale para o plano de negócios, que prevê investimentos totais (Capex) de US$ 109 bilhões entre 2026 e 2030.

Mesmo com a possibilidade de preços mais altos gerarem maior receita, a orientação é manter disciplina de capital. “Nossa prioridade continua sendo disciplina de capital. Nosso foco é atender os investimentos programados”, disse o CFO.

Os executivos reforçaram que a companhia está preparada para lidar com qualquer cenário, como demonstrado nos resultados do quarto trimestre e de 2025.

Num ano em que o Brent caiu 14%, a Petrobras registrou lucro líquido de R$ 15,5 bilhões nos últimos três meses, revertendo o prejuízo do mesmo período de 2024. No acumulado, o lucro somou R$ 110,1 bilhões, triplicando em relação ao ano anterior.

A receita líquida subiu 5% no trimestre, a R$ 127,4 bilhões, e avançou 1,4% no ano, para R$ 497,5 bilhões. O Ebitda ajustado cresceu 46,3% no quarto trimestre, para R$ 60 bilhões, e 10,6% no ano, para R$ 237,2 bilhões.

“O Brent não nos ajudou, o petróleo teve queda grande, mas o crescimento da produção nos permitiu mitigar a queda de preço”, disse Chambriard, destacando que a produção subiu 11% ante 2024 com retomada de operações e ganhos de eficiência.

Esses resultados levaram Chambriard a parafrasear o famoso alerta de Warren Buffett para quem não acredita na força dos Estados Unidos.

“A Petrobras está preparada para enfrentar um mercado de petróleo tão volátil quanto estamos vivendo hoje”, disse. “Quem apostar contra a Petrobras certamente vai perder. Tenho muito orgulho em dizer isso.”

Por volta das 15h34, as ações preferenciais da Petrobras subiam 4,37%, a R$ 42,45. Em 12 meses, os papéis registram alta de 24%, levando o valor de mercado a R$ 573,1 bilhões.