A chegada da Bradsaúde representa um novo player no segmento de saúde da Bolsa. E o BTG Pactual vê a companhia que reúne os ativos do Bradesco no ramo de saúde uma oportunidade para investidores conseguirem se expor num setor em franco crescimento por meio de um veículo que nasce com escala e valuation atrativo.
Por esses fatores, os analistas Samuel Alves e Maria Resende elevaram a recomendação da Odontoprev – que passará por reestruturação societária para abrigar os ativos, sendo rebatizada como Bradsaúde – de neutra para compra.
Eles também elevaram o preço-alvo das ações de R$ 13 para R$ 18, avaliando que a companhia passou a ter potencial de alta de 35%, valor que não inclui oportunidades de M&As e projetos greenfield, dois upsides relevantes para a tese.
“A criação da Bradsaúde estabelece um ecossistema de saúde escalável, com flexibilidade de capital, valuation atrativo e opções de crescimento significativas”, diz o relatório.
O modelo do BTG Pactual aloca R$ 11 por ação (61% do total) para seguros de saúde; R$ 2 por ação (14%) para a operação odontológica; R$ 1 por ação (5%) para a participação do Bradesco no Fleury; R$ 3 por ação (17%) para investimentos hospitalares sob a joint venture Atlântica D'Or; e R$ 1 por ação (3%) para outros investimentos em seguros de saúde. Com isso, os analistas calculam o valor patrimonial da empresa de R$ 52 bilhões.
Largando de cara com uma receita de R$ 52 bilhões, um lucro de R$ 3,6 bilhões e um retorno sobre patrimônio líquido de 24%, a Bradsaúde negociaria a um P/E de 10 vezes em 2026, segundo os cálculos dos analistas do BTG Pactual. A projeção média do setor no mesmo período gira em torno de 9,6 vezes.
O múltiplo é considerado atrativo pelos analistas, que destacam que há espaço para melhora à medida que a iniciativa passa a ser vista como uma plataforma completa de saúde. Isso abre caminho para a ação ser negociada acima de 12,5 vezes os lucros projetados para o próximo ano.
“Embora o segmento de seguros represente cerca de 85% dos lucros, esperamos que sua contribuição caia para 70% à medida que os ativos hospitalares amadureçam, sustentando uma base de lucros mais diversificada”, diz o relatório.
Em relação à Rede D’Or, principal nome do setor na B3 e praticamente unanimidade entre aqueles que acompanham o segmento, a Bradsaúde negocia com desconto de quase 70%. A expectativa é que essa diferença diminua com iniciativas de crescimento e melhora da liquidez dos papéis.
No momento, o BTG segue inclinado para o lado da Rede D’Or, pela liquidez e momento operacional positivo, além do fraco desempenho recente das ações, que abriu oportunidade de entrada – em 30 dias, os papéis caíram 4,25% e subiram 47,6% em 12 meses.
Ainda assim, as perspectivas da Bradsaúde levam os analistas a recomendar exposição às duas companhias, à medida que investidores percebam os benefícios e as perspectivas de crescimento da iniciativa do Bradesco. O banco, por sinal, é visto como fator que deve estimular o crescimento da nova empresa.
“A forte marca e a rede de distribuição do Bradesco, especialmente no segmento de PMEs por meio de sua franquia bancária, reforçam o posicionamento competitivo no setor de seguros e fornecem canal natural para apoiar a expansão hospitalar”, diz o relatório.
Por volta das 11h35, as ações da Odontoprev caíam 1,31%, a R$ 13,58. Em 12 meses, os papéis avançaram 21,25%, levando o valor de mercado a R$ 7,5 bilhões.