Dona do chatbot Claude, a startup de inteligência artificial Anthropic planeja captar US$ 10 bilhões, em um movimento de financiamento liderado pelo fundo soberano de Singapura (GIC) – que, no Brasil, é sócio minoritário da Cimed – e a Coatue Management.
Com isso, o alvo da empresa é atingir um valor de mercado de cerca de US$ 350 bilhões, quase dobrando o valuation que havia sido registrado em setembro, de US$ 183 bilhões.
A rodada de financiamento, que se soma a três grandes negociações realizadas em 2025, sucedeu justamente um volume de investimentos de US$ 13 bilhões, realizado há quatro meses.
O novo aporte irá se somar aos cerca de US$ 15 bilhões que a Nvidia e a Microsoft planejam investir na concorrente da OpenAI, segundo fontes consultadas pelo Wall Street Journal.
Como parte desta negociação, a Anthropic afirmou que garantiria a compra de US$ 30 bilhões em capacidade computacional da Microsoft Azure, plataforma de nuvem da Microsoft, que roda chips de IA da Nvidia.
O novo aporte dá início ao que provavelmente será mais um ano excepcional para o financiamento de startups de IA. Em 2025, as empresas de IA arrecadaram um valor recorde de US$ 222 bilhões, mais que o dobro dos níveis de 2024, de acordo com os dados mais recentes da empresa de pesquisa PitchBook.
A previsão do mercado é que 2026 seja um grande ano para ofertas públicas iniciais (IPOs), após um período de grande seca neste setor. A Anthropic deverá abrir o seu capital ainda este ano, assim como deve ocorrer com a SpaceX, de Elon Musk.
A perspectiva é que o IPO da Anthropic seja um dos maiores da história das principais empresas de tecnologia do mundo. Para isso, a companhia já contratou o escritório Wilson Sonsini para iniciar conversas informais com bancos sobre a listagem na Bolsa.
O escritório é uma das casas mais tradicionais no universo das empresas de tecnologia e do mercado de capitais nos Estados Unidos. O grupo já assessorou ofertas de Google, LinkedIn e Lyft, entre outras.
Desde 2022, a banca de advogados Wilson Sonsini presta assistência jurídica para a Anthropic, com participação inclusive nos aportes da Amazon, em 2023 e 2024.
Fundada em 2021 por Dario Amodei, ex-pesquisador do Google e ex-funcionário da OpenAI, e sua irmã, Daniela Amodei, a Anthropic é conhecida justamente pelo Claude, uma ferramenta que se tornou popular entre usuários corporativos devido à sua robustez em programação e outras áreas.
Ao longo dos anos, a Anthropic já captou dezenas de bilhões de dólares de investidores, como Lightspeed Venture Partners, Fidelity Management & Research e Iconiq Capital.
A projeção da empresa é de praticamente triplicar sua receita anualizada, para algo próximo a US$ 26 bilhões, em 2026. Hoje, a startup conta, em seu portfólio, com mais de 300 mil clientes corporativos.
A Anthropic espera atingir o ponto de equilíbrio pela primeira vez em 2028, o que a coloca no caminho para alcançar o lucro de forma mais rápida do que a OpenAI, segundo o WSJ.
A empresa dirigida por Sam Altman prevê que seus prejuízos operacionais aumentem para cerca de US$ 74 bilhões em 2028 — ou aproximadamente três quartos da receita — devido ao aumento exorbitante dos gastos com custos de computação. A criadora do ChatGPT também espera consumir cerca de 14 vezes mais caixa do que a Anthropic antes de obter lucro, previsto para 2030.
De qualquer forma, a desenvolvedora do ChatGPT também está em negociações para captar recursos extras. A OpenAI pretende levantar até US$ 100 bilhões, atingindo uma avaliação de US$ 750 bilhões antes do novo investimento.