O PicPay protocolou seu pedido de abertura de capital na Nasdaq  nesta segunda-feira, 5 de janeiro, que, se concretizado, pode ser o primeiro de uma empresa brasileira desde que o Nubank fez a dupla listagem nos Estados Unidos e no Brasil em dezembro de 2021.

O objetivo do PicPay é captar até US$ 500 milhões, e o IPO já nasce ancorado pela gestora Bicycle, de Marcelo Claure, ex-homem forte do SoftBank e hoje sócio da eB Capital, fontes disseram ao NeoFeed. A gestora de Claure se comprometeu com US$ 75 milhões. A meta é conseguir tocar o sino da Nasdaq até o fim de janeiro.

Essa é a segunda tentativa do PicPay de abrir o capital. Em abril de 2021, a empresa controlada pela J&F, da família Batista, protocolou também um pedido de IPO na Nasdaq que não foi adiante por conta das condições adversas do mercado.

A operação será 100% primária, o que significa que haverá diluição dos atuais acionistas. Haverá duas classes de ações, sendo que a J&F Participações deterá 100% das ações classe B, com 10 votos por ação, mantendo controle sobre decisões estratégicas.

Os recursos serão usados para capital de giro, despesas operacionais, cumprimento de requisitos regulatórios, investimentos em tecnologia, expansão de portfólio e possíveis aquisições, como a que aconteceu com a seguradora Kovr, que era controlada pelo Banco Master.

De acordo com o prospecto protocolado na SEC (Securities and Exchange Commission), o PicPay conta com 65,6 milhões de contas abertas e 42 milhões de clientes ativos trimestrais (a base é setembro de 2025).

Os depósitos somam R$ 26,7 bilhões, crescimento de 61% em 12 meses. E o TPV (Volume Total de Pagamentos) atingiu R$ 392 bilhões nos nove primeiros meses de 2025.

Quando tentou abrir o capital em 2021, o PicPay era deficitário, uma característica das empresas de crescimento rápido. Agora, a empresa obteve um lucro líquido de R$ 314 milhões nos três primeiros trimestres do ano passado.

A carteira de crédito do PicPay atingiu R$ 18,7 bilhões em setembro de 2025, sendo que 44% desse volume é garantido (FGTS e consignado, por exemplo). A taxa de inadimplência de 90 dias está em 6,2%.

Outro dado que pode ser encontrado no prospecto é o de eficiência operacional, que mostra que o custo médio mensal para servir um cliente ativo é de R$ 5,90.

Os coordenadores da oferta são o Citi, Bank of America e o Royal Bank of Canada (RBC).