Dois anos após a frustrada tentativa de abrir o capital da Pershing Square, Bill Ackman está prestes a realizar um IPO duplo na Bolsa de Nova York (NYSE). E conta com a fama que ganhou nas redes sociais para fazer com que a operação seja bem-sucedida.

O investidor – cujo patrimônio é da ordem de US$ 8,2 bilhões, segundo a Bloomberg – planeja realizar a dupla listagem na quarta-feira, 29 de abril, lançando tanto um novo fundo de ações, o Pershing Square USA, quanto seu hedge fund, a Pershing Square.

Para atrair investidores, ele está oferecendo uma ação da Pershing Square, que conta com cerca de US$ 19 bilhões em ativos sob gestão, a todos que comprarem cinco papéis da Pershing Square USA.

A fama, porém, não parece estar fazendo diferença num primeiro momento. Segundo apuração do jornal The Wall Street Journal (WSJ), a Pershing Square USA estava a caminho de levantar US$ 5 bilhões, o limite inferior da meta pretendida por Ackman, que era de US$ 5 bilhões a US$ 10 bilhões.

Mais de 80% da demanda veio de investidores institucionais, e não de investidores individuais, disseram algumas das fontes ouvidas pela reportagem.

A recepção dos investidores individuais é vista como fundamental para definir o veredicto em relação ao IPO. Seu entusiasmo pode tanto impulsionar as ações nas primeiras negociações, estimulando a entrada de mais investidores, quanto derrubá-las caso aqueles que investiram no IPO decidam vender.

Ackman quer capitalizar sua fama nas redes sociais para que o IPO aconteça. Com 2,1 milhões de seguidores no X (ex-Twitter), o gestor tornou-se um conhecido comentarista, para o bem e para o mal, dos mais diferentes assuntos, dos protestos que ocorreram nas universidades dos Estados Unidos no ano passado até as eleições para a prefeitura de Nova York.

O perfil midiático foi um argumento que ele utilizou em 2024. Ackman chegou a dizer em reunião com potenciais investidores na ocasião que sua presença no X ajudaria a conseguir um valuation elevado para o IPO.

Além da fama, ele também fez ajustes na oferta e colocou em prática uma ofensiva em busca dos investidores. A Pershing Square reduziu o valor mínimo de compra de US$ 5 mil para US$ 250 e fechou acordos com as corretoras de varejo Charles Schwab e Robinhood para oferecer as ações às vastas bases de usuários dessas plataformas.

Ackman participou de um podcast com o CEO da Robinhood, Vlad Tenev, e visitou escritórios de gestão de patrimônio de alguns bancos para apresentar a proposta a consultores financeiros.

Esses movimentos, mais a oferta de ações da gestora, visam mitigar o fato de fundos como o Pershing Square USA serem negociados a um desconto em relação ao seu valor patrimonial (NAV, na sigla em inglês). A casa tem um fundo listado em Londres, o Pershing Square Holdings, que negocia com um desconto da ordem de 20%.

A oferta atual é muito mais modesta do que aquela originalmente apresentada. O plano inicial era levantar cerca de US$ 25 bilhões, no que seria o maior IPO desde que a Saudi Aramco, a petrolífera da Arábia Saudita, conseguiu arrecadar US$ 29,4 bilhões em janeiro de 2020, quando vendeu uma fatia de seu capital social. O BTG Pactual atuava como um dos bookrunners do IPO do fundo.

Ele tentou seguir adiante reduzindo as expectativas, baixando para uma faixa de US$ 2,5 bilhões a US$ 4 bilhões, mas acabou desistindo.

Na operação atual, Ackman garantiu antecipadamente US$ 2,8 bilhões em compromissos de investimento de investidores âncora, incluindo fundos de pensão, seguradoras, escritórios familiares e investidores de altíssimo patrimônio.

Para esse público, Ackman também “adoçou” a operação. Segundo o WSJ, o grupo vai receber uma ação e meia da Pershing Square para cada cinco ações da Pershing Square USA adquiridas. Os investidores também concordaram em não vender suas ações por pelo menos seis meses.