Pouco mais de três meses depois de obter a autorização para iniciar sua operação bancária no México, a Revolut anunciou o fim da fase beta da empreitada e o lançamento oficial de suas operações bancárias no país na terça-feira, 27 de janeiro.
“Este lançamento é um modelo para a expansão em outros mercados de alto crescimento e estamos confiantes em replicar esse sucesso em nossa jornada para alcançar mais de 100 milhões de clientes ativos diariamente em 100 países”, afirmou, em nota, Nik Storosnky, cofundador e CEO da Revolut.
Com o desembarque “completo” no México – o país latino-americano foi a primeira investida da fintech britânica fora do Velho Continente, a Revolut amplia seu mapa de operações para 40 países.
No comunicado, a fintech observou que capitalizou essa operação com mais de US$ 100 milhões – mais que o dobro exigido pela regulação, o que resultou em um Índice de Adequação de Capital (CAR) de 447,2% nessa largada.
Em outra ponta, a Revolut destacou que esses dados contribuíram para que, já de saída, a instituição recebesse “excelentes” ratings de crédito de agências como a S&P National Ratings e a HR Ratings, sinalizando “estabilidade e uma base financeira sólida” desde o início de suas operações.
“Chegamos para revolucionar o sistema bancário no México”, ressaltou Juan Guerra, CEO da Revolut no país. “O Revolut Bank S.A. foi lançado para ajudar as pessoas no México a tirarem mais proveito do seu dinheiro – e isso é apenas o começo.”
Esse pontapé inicial inclui um portfólio completo de serviços bancários digitais, que envolve conta remunerada, contas conjuntas, pagamentos de contas integradas e transferências sem custos para outros clientes da fintech em todo o mundo, entre outras linhas.
“Finalmente, existe uma alternativa digital elegante às instituições tradicionais, oferecendo desde contas de poupança com alto rendimento até transferências internacionais simples e ferramentas para toda a família”, complementou Guerra.
À parte do discurso e da menção às instituições tradicionais, o fato é que, ao fincar definitivamente os pés em solo mexicano, a Revolut entra de vez em rota de colisão com outro banco digital que também avançou com esse mesmo discurso: o brasileiro Nubank.
Fundado em 2013, o Nubank elegeu o México, onde desembarcou em 2019, com seu cartão de crédito, como sua primeira operação internacional. Desde então, o portfólio local ganhou outras opções e, em abril de 2025, a empresa recebeu a aprovação para operar como instituição bancária no país.
Até então, no México, a companhia operava como uma Sociedade Financeira Popular (Sofipo), uma instituição financeira focada em clientes de baixa renda desbancarizados e microempresas. E, com o aval dos reguladores, vai poder ampliar de forma substancial seu portfólio no país.
Além do México, onde já tem uma base de 13,1 milhões de clientes, e do Brasil, o Nubank expandiu suas fronteiras para a Colômbia. E, em setembro de 2025, solicitou uma licença de banco nacional junto ao Escritório do Controlador da Moeda dos Estados Unidos.
Nesse roteiro para consolidar o seu “sonho americano”, o Nubank terá novamente a “companhia” da Revolut pela frente. Nos Estados Unidos desde 2022, a fintech britânica também está em fase de construção de sua base regulatória e tecnológica para operar no país.
“Embora o Nubank seja um concorrente no Brasil, com quem realmente competimos são todos os bancos tradicionais”, afirmou Sid Jajodia, CEO da Revolut nos EUA e Chief Banking Officer global da fintech, em entrevista concedida em setembro do ano passado ao NeoFeed.
Quatro meses depois, à parte do Brasil e dos bancos tradicionais, a perspectiva é de que os caminhos da Revolut e da Nubank cada vez mais se cruzem. E, hoje, nessa disputa, o “representante” brasileiro, mesmo com menos operações, está na dianteira em alguns quesitos.
Enquanto o Nubank fechou o terceiro trimestre com uma base de 127 milhões de clientes, a Revolut afirma ter mais de 70 milhões de clientes. Após superar, por um breve período, o Nubank, no início de setembro de 2025, a concorrente britânica também fica atrás em termos de valor de mercado.
Naquela oportunidade, a Revolut foi avaliada em US$ 75 bilhões, após uma rodada secundária de ações voltada a funcionários. Mas foi superada logo na sequência pelo Nubank, que, hoje, por sua vez, tem um valuation de US$ 89,5 bilhões.