A Revolut anunciou nesta quinta-feira, 11 de junho, a chegada de Paulo Guedes para compor o recém-criado conselho consultivo, estabelecido para orientar a fintech britânica em seus próximos passos no Brasil.

A ideia é que o ex-ministro da Economia do governo de Jair Bolsonaro contribua com seu conhecimento macroeconômico e sua extensa rede de relacionamentos internacionais em um momento em que a fintech ganha escala no País e busca aprofundar sua atuação local, tendo entre seus planos a obtenção de uma licença bancária.

“O ministro viveu momentos de crise, momentos de crescimento, liderou projetos de sucesso em vários bancos, desde a época do Pactual, passando pelo Bozano, além de empresas de educação. É um economista experiente e ainda teve a experiência no governo”, diz Glauber Mota, CEO da Revolut no Brasil, ao NeoFeed. “Ele traz uma complementaridade técnica muito grande para nós.”

Além de Guedes, a Revolut está trazendo outros dois nomes para atuar como conselheiros independentes no conselho consultivo. Uma delas é Ana Novaes, que já foi conselheira da B3 e do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O outro é Luiz Henrique Lobo, que já foi responsável pelas áreas de risco de bancos como Rabobank e Banco Pan.

O conselho, modelo que a Revolut já adotou em outras operações, será composto também por Mota, representando a fintech, além de outro nome ligado à empresa, que ainda será definido.

A chegada de Guedes à Revolut guarda semelhanças com o movimento feito pelo Nubank no ano passado, quando chamou Roberto Campos Neto, ex-presidente do BC no governo Bolsonaro, para ser vice-chairman do principal concorrente da fintech britânica.

Enquanto Campos Neto foi contratado para atender às pretensões globais do Nubank, Guedes chega para ajudar a expandir a presença local da Revolut, cujo market cap caminha para ser duas vezes maior que o do Nubank.

Presente no País desde meados de 2023, a Revolut vem crescendo no mercado local, atuando por meio de uma licença de Sociedade de Crédito Direto (SCD). A fintech começou oferecendo conta global multimoedas e, na sequência, ampliou sua oferta com conta em reais, Pix, saldos remunerados, investimentos, produtos de crédito e planos de assinatura.

Sem entrar em detalhes, já que a companhia não divulga dados por geografia, Mota afirma que o Brasil está entre os três mercados da Revolut com maior ritmo de crescimento.

A SCD, no entanto, limita a atuação da empresa, uma vez que ela empresta recursos provenientes do próprio caixa ou de estruturas de capital ligadas à instituição, e não de depósitos do público. Mas, diante dos resultados, o plano é “subir de categoria”.

A expectativa é que os conselheiros, com sua experiência em regulação, compliance e infraestrutura financeira, possam ajudar a companhia a se preparar para se tornar um banco. Mota diz que não há prazo para a obtenção da licença bancária, mas que a ideia é estar preparado, em termos de governança, para conseguir a autorização.

“É natural que o nosso próximo passo seja, assim como é a ambição da Revolut no mundo inteiro, evoluir para um arcabouço regulatório mais robusto”, afirma Mota. “E aí entra a governança. A gente prefere estar um passo à frente do que o regulador exige.”

Ele afirma que o conselho pode ganhar caráter estatutário mais à frente, quando a companhia decidir buscar a licença bancária. No momento, a Revolut conta com comitês de risco e de finanças, em linha com o que é exigido pelo Banco Central (BC) dos bancos.