O bilionário Elon Musk vive um momento "do céu ao inferno" nos negócios: enquanto anuncia a fusão da SpaceX com a xAI, e cria uma empresa de US$ 1,25 trilhão, assiste à sua plataforma X ser alvo de investigação da polícia francesa por suspeita de abuso de algoritmos e coleta fraudulenta de dados. Musk, inclusive, terá de depor na investigação.

Na segunda-feira, 2 de fevereiro, o dono da fabricante de foguetes e satélites concretizou o maior M&A da história. Pelo acordo, a SpaceX passa a ser avaliada em US$ 1 trilhão, enquanto a startup de inteligência artificial (IA), criadora do chatbot Grok, foi precificada em US$ 250 milhões.

“A SpaceX adquiriu a xAI para formar o motor de inovação verticalmente integrado mais ambicioso da Terra (e do espaço)”, diz Musk, em comunicado divulgado pelas empresas.

A fusão da SpaceX com a xAI é o exemplo mais recente de Musk de integração de seu império empresarial. Em 2016, a montadora de carros elétricos Tesla adquiriu a SolarCity, empresa que já era do bilionário. Em 2025, a xAI fundiu-se com a plataforma X, que ele adquiriu em 2022, quando ainda se chamava Twitter.

Musk já controlava as empresas antes da fusão. Ele detinha uma participação de aproximadamente 42% na SpaceX e 80% do controle das ações com direito a voto da fabricante de foguetes.

As avaliações das companhias têm aumentado constantemente em decorrência de vendas secundárias de ações e esforços para captar novo capital.

O M&A ocorre justamente no momento que o mercado dá como certo o IPO da SpaceX. As ações da SpaceX foram avaliadas em US$ 527 cada. Em dezembro do ano passado, a empresa iniciou uma oferta secundária de ações que buscava avaliar as ações em US$ 421 cada. No mês seguinte, em janeiro deste ano, a xAI concluiu uma rodada de financiamento de US$ 20 bilhões.

Na semana passada, a SpaceX afirmou que pretende implantar uma rede orbital de data centers com inteligência artificial, composta por até um milhão de satélites. A empresa precisará obter autorização das autoridades de telecomunicações para implantar essa frota.

“Utilizar energia solar proveniente do espaço será uma forma transformadora de alimentar os recursos computacionais necessários para a IA”, afirmou Musk.

Enquanto ele mira o espaço pela sua SpaceX, a plataforma de mídia social X está no meio de um escândalo policial. No dia 20 de abril, o empresário irá prestar esclarecimentos à promotoria de Paris. As investigações tiveram início no ano passado.

Além dele, a ex-CEO Linda Yaccarino e outros funcionários da rede social foram intimados para falar sobre as supostas irregularidades cometidas pela empresa. A ação ocorre também após uma onda de indignação pública sobre a forma como o Grok disseminava imagens sexualizadas de mulheres e crianças.

Nesta terça-feira, 3 de fevereiro, os escritórios do X em Paris foram alvos de mandados de busca e apreensão. Investigadores do Ministério Público de Paris, da unidade nacional de crimes cibernéticos e da Agência da União Europeia para Cooperação Policial (Europol) participaram das buscas.

As buscas ocorreram no mesmo dia em que o Gabinete do Comissário de Informação do Reino Unido (ICO) anunciou o lançamento de uma nova investigação sobre o X e a xAI, afirmando ter “sérias preocupações” sobre o uso de dados pessoais pela Grok e “seu potencial para produzir conteúdo prejudicial de imagens e vídeos sexualizados”.

Por causa disso, Musk passou a ser alvo de agências reguladoras de vários países nas últimas semanas, depois que pessoas começaram a usar o Grok para gerar deepfakes de outras pessoas sem o seu consentimento.

A investigação francesa começou apurando os algoritmos de X, mas desde então foi ampliada para examinar a disseminação de material de abuso sexual gerado por inteligência artificial, bem como publicações que negam crimes contra a humanidade.

Em janeiro, a autoridade reguladora de mídia do Reino Unido (Ofcom) iniciou sua investigação sobre a X, a plataforma onde o conteúdo ofensivo foi distribuído, mas ainda não está investigando a xAI, porque a Lei de Segurança Online do Reino Unido ainda não se aplica a todos os chatbots de IA.

Após sofrer pressão de vários países, o X implementou medidas tecnológicas para impedir que a ferramenta de IA fosse usada para manipular fotos de pessoas reais e limitou a criação e edição de imagens para assinantes da ferramenta.

Como resposta, Musk afirmou que os usuários que utilizam o Grok para gerar conteúdo ilegal “sofrerão as mesmas consequências” que aqueles que enviam materiais ilegais.

No ano passado, ainda no início do processo, Musk chegou a dizer que os promotores franceses estavam começando uma “investigação criminal com motivação política”.

“Nesta fase, a condução desta investigação faz parte de uma abordagem construtiva, com o objetivo final de garantir que a plataforma X cumpra as leis francesas, na medida em que opera em território nacional”, disse, à época, a procuradoria de Paris.