Em um futuro bem próximo, não serão apenas CEOs que terão secretárias para resolver burocracias do dia a dia, como comprar passagens aéreas, flores para a esposa ou encomendar um terno para um evento especial. Até o próximo ano, é possível que qualquer consumidor tenha a sua própria assistente pessoal de compras, graças à inteligência artificial.
A Visa realizou a primeira transação via agentes de inteligência artificial do Brasil na quarta-feira, 11 de março. O teste foi feito em parceria com o Banco do Brasil, utilizando a plataforma Visa Intelligent Commerce (VIC). A perspectiva é que a tecnologia seja liberada para amplo uso já no segundo semestre.
O chamado “comércio agêntico”, aquele que ocorre quando agentes movidos por IA e não por pessoas conduzem o processo de compra, é o que está por trás do teste realizado pela Visa e pelo Banco do Brasil.
Na prática, o sistema permitiu que um agente de inteligência artificial executasse o pagamento utilizando um cartão BB Visa previamente habilitado, com autenticação, tokenização e controles de segurança apoiados pela infraestrutura global da Visa.
A novidade propõe uma mudança na lógica do e-commerce. Em vez de o consumidor navegar por sites e aplicativos, ele delega parte da jornada de compra a um agente de IA — sejam grandes LLMs, como ChatGPT, ou mesmo bots de lojas — que pode buscar produtos, comparar ofertas e concluir a transação dentro de parâmetros definidos pelo usuário.
“Você pode falar: procure uma passagem do Rio de Janeiro e, se encontrar por menos de R$ 300, pode comprar. O agente monitora e executa quando encontra a condição. É como ter uma secretária digital que faz a pesquisa e executa a compra”, afirma Leandro Garcia, diretor-executivo de produtos da Visa do Brasil, ao NeoFeed.
Além do Banco do Brasil, outros emissores brasileiros também participam dos testes da tecnologia. Se ganhar escala, o impacto pode ir além da experiência do consumidor. Para Garcia, o comércio agêntico também pode mudar a dinâmica de competição no varejo digital.
De acordo com ele, pequenos lojistas, que hoje têm dificuldade de aparecer nas primeiras posições das buscas, podem ganhar mais visibilidade quando a recomendação passa a ser feita por algoritmos. “Em vez de disputar a primeira página do buscador, as empresas vão disputar a preferência dos agentes de IA”, diz Garcia.
A Visa lançou globalmente o Visa Intelligent Commerce no ano passado e já realizou as primeiras transações desse tipo nos Estados Unidos e na Europa. Desde o fim de 2025, a companhia vinha trabalhando para antecipar a chegada da tecnologia ao mercado brasileiro.
Um dos desafios foi adaptar a solução às particularidades do sistema de pagamentos local, que combina diferentes modalidades — como crédito e débito — e exige controles adicionais.
“É um país desafiador. A gente precisa colocar uma lupa maior para garantir que todos os mecanismos de segurança e controle funcionem”, diz Garcia.
Além da infraestrutura de pagamentos, a companhia também desenvolveu um protocolo chamado Trust Agent Protocol, lançado globalmente em novembro, que permite identificar quando uma transação está sendo iniciada por um agente de IA certificado pela Visa. A ideia é dar mais transparência aos comerciantes e reduzir o risco de fraudes.
Outro foco da fase atual de testes é entender o comportamento tanto dos usuários quanto dos próprios agentes de IA. A preocupação é garantir que o sistema opere dentro dos padrões de segurança e evitar erros de interpretação ou decisões indevidas dos algoritmos.