Em meio ao amadurecimento da eletrificação, o setor automotivo se prepara para uma nova transformação impulsionada pela inteligência artificial: a chegada dos carros autônomos.  Para Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD Brasil e head comercial e de marketing da BYD Auto, a indústria já avança nessa direção.

"Essa transformação não está em um futuro muito longevo. É algo próximo de acontecer", afirmou Baldy no NeoSummit IA na Real. "Já existem inúmeras experiências com carros autônomos sendo testadas e implementadas", acrescentou ele no evento promovido pelo NeoFeed.

De olho nesse movimento, a montadora chinesa mantém quase 5 mil engenheiros dedicados exclusivamente a projetos de direção autônoma, segundo o executivo.

No Brasil, a companhia anunciou neste ano um investimento de R$ 300 milhões na criação de um centro de pesquisa no complexo do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. O projeto será voltado ao desenvolvimento de inovações em mobilidade, com destaque para a direção autônoma. O espaço também armazenará os dados coletados pela BYD no mercado sul-americano.

"Somos muito mais do que puramente uma fabricante de automóveis. A BYD é uma empresa de tecnologia", disse, destacando a fabricação de semicondutores e componentes eletrônicos.

Na prática, a integração de diferentes frentes tecnológicas se traduz em recursos incorporados aos veículos. O executivo citou como exemplo um modelo da Denza, marca de luxo do grupo, que permite acionar pelo celular manobras remotas de estacionamento.

Além dos recursos oferecidos aos motoristas, a conectividade transforma os dados gerados pelos veículos em insumos para a tomada de decisões. "Hoje, um dos mais importantes ativos é a informação", afirmou. O volume de dados ajuda a identificar onde os investimentos podem ser mais efetivos.

É nesse contexto que entra a BYD Recharge. A plataforma permite analisar as jornadas dos veículos e identificar onde é mais eficiente investir diretamente em infraestrutura de recarga ou estimular outras empresas a ampliar a rede.

"Esses ecossistemas tecnológicos nos permitirão coletar informações dentro das regulações e das leis brasileiras para que possamos promover cada vez mais uma experiência agradável e absorver a tecnologia", disse Baldy.

NeoSummit Ia na Real - painel O Novo Ecossistema da Mobilidade Elétrica - Bruno Lasansky, da Localiza
Bruno Lasansky, CEO da Localiza&Co

A BYD e a Localiza também mantêm um acordo comercial, anunciado em fevereiro de 2026, que prevê a compra de 10 mil veículos híbridos e elétricos pela locadora nos próximos dois anos.

“O importante é que empresas como as nossas estão se preparando e investindo para esse futuro. Vamos aproveitar os acertos e os erros daqueles países que tiveram uma adoção mais rápida”, afirmou Bruno Lasansky, CEO da Localiza&Co.

Lasansky destacou que a inteligência artificial e os dados gerados por mais de 600 mil veículos conectados já são utilizados pela Localiza em três frentes.

"A primeira é transformar a experiência do cliente. A segunda é trazer muito mais eficiência na gestão da frota. E a terceira é cuidar das pessoas e aumentar a segurança", disse o CEO da Localiza.

Entre as aplicações já em uso, ressaltou a abertura do veículo por reconhecimento facial, o diagnóstico remoto de problemas mecânicos e a detecção de colisões. A telemetria também permite identificar comportamentos de risco, como excesso de velocidade e períodos prolongados ao volante.