A Aro, fintech que desenvolveu um agente de inteligência artificial (IA) para guiar pessoas na jornada pelo mundo do crédito, anunciou na segunda-feira, 13 de abril, que está saindo do modo stealth após levantar US$ 2,5 milhões (pouco mais de R$ 12,5 milhões) em uma rodada pré-seed.

A captação foi liderada pelas gestoras ONEVC e 17Sigma, da Argentina, e contou com a participação de Norte Ventures, a americana Gilgamesh e Grão VC. O valuation não foi revelado.

Com os recursos, a companhia cofundada por Pedro Milanez – primeiro funcionário do Nubank e cofundador da proptech Lastro, que conta com o apoio da Prosus – e por Yuri Mannes, ex-vice-presidente de inovação da BR Media Group, parte agora para crescer.

A avaliação é de que o momento é favorável às fintechs que apostam na jornada do consumidor, não apenas na venda de produtos, diante das capacidades trazidas pela IA.

“Houve uma explosão de serviços financeiros, mas a camada de serviços financeiros, de atendimento, ainda não aconteceu”, diz Milanez, CEO da Aro, ao NeoFeed.

“Isso existe no mundo dos investimentos, com private bankers e assessores, mas não em crédito, principal dor do ponto de vista do relacionamento financeiro, do acesso ao crédito, passando por renegociação até pegar o produto mais adequado”, complementa.

Criada em agosto de 2024, a Aro utiliza IA e dados comportamentais para entender a situação de cada cliente, orientando sobre quais caminhos seguir para acessar crédito em melhores condições. O produto é voltado principalmente para pessoas das classes C e D, pela avaliação de que este é o público que mais precisa de ajuda com o tema crédito.

Segundo Milanez, parte dos recursos da rodada será destinada à expansão da empresa, com contratação de mais pessoas e investimento em tecnologia, com destaque para a criação de um dataset com as principais dores das pessoas para aprimorar os modelos de análise.

A outra parte será usada para escalar a operação de crédito. A plataforma conta com cinco parceiros para quem direciona clientes e os acompanha até o fim do empréstimo, podendo até ajudar as pessoas caso precisem renegociar a dívida.

aro founders
Yuri Mannes e Pedro Milanez, founders da Aro

“Nossa ideia não é apenas originar no médio e longo prazo, mas cocriar e ajudar no relacionamento com os clientes e no processo de decisão, com nossos dados”, diz Milanez.

A Aro também possui uma operação própria de empréstimo pessoal não colateralizado. Milanez diz que esse produto é uma linha de cunho emergencial, de ticket baixo, de até R$ 200. Os recursos vêm do caixa da companhia, com a fintech utilizando a licença bancária da Celcoin.

Desde o lançamento do MVP, em novembro de 2025, mais de 100 mil pessoas já passaram pela plataforma da Aro, com a fintech originando mais de R$ 2 milhões em crédito com recursos próprios.

Com a tese de negócio validada, a Aro entra agora em uma nova fase de crescimento. A empresa projeta atingir US$ 1 milhão em receita recorrente anual (ARR, na sigla em inglês) até o fim do primeiro semestre e prepara a expansão da oferta, com a integração de mais 15 parceiros de crédito até o fim do ano.

No caso da linha própria, o plano é manter a linha de empréstimo pessoal não colateralizado de baixo valor. “Não temos o objetivo de crescer a nossa carteira no curto prazo, ela é muito mais para a construção de dataset, para entender a dinâmica que é o comportamento do crédito”, afirma Milanez.

Além dos recursos, Milanez diz que a rodada servirá para abrir as portas do mundo de venture capital, considerando que ele pensa em ir ao mercado no fim do ano para realizar uma nova captação.

“Negócios que precisam de escala e envolvem crédito precisam de funding. Esse foi o motivo pelo qual escolhi os investidores que estão agora no cap table, porque vai necessitar”, afirma. “Parte do plano é trazer fundos mais estratégicos em crédito e seguir com nossos parceiros atuais.”