Fundada em 2020, a Genoa Capital se consolidou como uma gestora que opera com três grandes estratégias: multimercado, long bias e sistemáticos. Em ações, conta com aproximadamente R$ 2 bilhões e tem usado de uma estratégia que reúne desde aposta em ativos locais até internacionais, mas com uma filosofia simples.
“Não complicar o que não precisa. Simplificar ao máximo a decisão”, explica José Luiz Torres, sócio da Genoa Capital, ao Café com Investidor, programa do NeoFeed que entrevista os principais investidores do Brasil.
“Meu desafio é montar um portfólio ajustado para as oportunidades, mas sempre olhando o risco. Não gosto de perder”, complementa.
O processo é baseado em análise detalhada das empresas e conversas com o management, sempre com foco em risco e volatilidade. A seleção das empresas segue premissas como negócios estáveis, altos retornos, crescimento consistente e gestão confiável.
“A dificuldade é achar quem combine tudo isso com um valuation ok. O que a gente procura são assimetrias”, diz Torres.
No Brasil, a preferência recai sobre companhias protegidas contra inflação e juros altos, geralmente em setores regulados, com capacidade de repassar custos ao consumidor e baixa alavancagem. “São empresas que não sofrem com juro alto e têm na receita mecanismos para repassar inflação, seja por regulação ou dominância de mercado”, afirma Torres.
Já no exterior, a Genoa busca empresas inovadoras, especialmente em tecnologia. “Nossa grande aposta é tecnologia. A inteligência artificial veio para ficar. Gosto de Microsoft, Amazon e Nvidia. São cases com valuation razoável e potencial de crescimento”, diz o sócio da Genoa Capital.
Entre os nomes brasileiros, destacam-se Sabesp, Copasa e Copel, todas ligadas a saneamento e energia, setores com forte capacidade de geração de caixa e proteção regulatória.
“Sabesp é um case bom para acionistas, governo e consumidor. Com a privatização, triplica investimentos e entrega universalização”, afirma.
No exterior, além das gigantes de tecnologia, a Genoa tem posições relevantes em energia, impulsionadas pela demanda crescente de data centers e veículos elétricos. “Carregamos posições em energia e equipamentos ligados ao setor. É uma tese que começou no fim de 2023 e segue forte”, diz Torres.
Outro ponto central na estratégia é a liquidez. “Empresas com baixa liquidez praticamente não entram no nosso portfólio. Quero ter liberdade para mudar de opinião. Se erro, não quero estar preso”, ressalta Torres.
Nesta conversa, que você assiste no vídeo acima, Torres detalha a tese, fala sobre o controle de risco, que é rigoroso, com stress tests diários e uso de derivativos para proteção. “Não olho tanto o tamanho da posição, mas o tamanho do risco.”