Maior empresa de shopping centers do Brasil, com 51 centros de compras (45 próprios e seis sob administração), a Allos decidiu ajudar os lojistas a aumentar suas receitas pelo canal digital. Para isso, criou um modelo de vendas, inédito no País, a partir de um estúdio próprio da companhia, para vendas por meio da plataforma TikTok Shop.

O primeiro modelo do projeto Live Shopping da Allos foi instalado no Shopping da Bahia, em Salvador, com a implementação de um estúdio de 50 metros quadrados, em um espaço de uma loja. A transmissão inicial foi no dia 26 de março, feita pela unidade da Arezzo no shopping baiano.

O espaço poderá ser utilizado pelos lojistas sem custo, por um período de cerca de uma hora para realizar as vendas pela internet. A Allos oferece toda a infraestrutura necessária para a realização da live, como os equipamentos de alta tecnologia, internet e equipes para ajudar na transmissão.

Até o fim do ano, a companhia pretende instalar mais dois modelos de estúdios para transmissões de vendas ao vivo em dois shoppings: um no Norte Shopping, no Rio de Janeiro, que deve ter cerca de 80 m², e outro em um centro de compras na cidade de São Paulo, ainda não definido.

“A gente está dando um passo importante no modelo phygital, conectando ainda mais a experiência presencial dos shoppings com o alcance e conversão do canal digital”, diz Ana Paula Niemeyer, CMO da Allos, em entrevista ao NeoFeed. “Não há competição entre os canais, e sim uma complementariedade.”

Mas o modelo não se resume a proporcionar um horário em um estúdio. A companhia também passou a oferecer uma consultoria a lojistas, para que eles possam entender mais o funcionamento do universo de criação de conteúdo associado a vendas de produtos.

Um dos requisitos para a instalação do estúdio no shopping tem sido a proximidade com uma agência de Correios, normalmente dentro do centro de compras, para facilitar a logística dos novos sellers em relação à entrega dos produtos vendidos.

Há uma preocupação, segundo ela, para que o lojista do shopping cubra todas as etapas da venda, já que, desta forma, ele deixa de ser um vendedor local para falar com qualquer cliente do Brasil. Nenhum empreendedor poderá fazer a live sem realizar o treinamento realizado pela companhia.

“Na prática, a Allos acompanha o comportamento do consumidor, que hoje não está só no modelo tradicional e sim em uma plataforma multifuncional, que integra consumo, serviço, entretenimento, gastronomia e experiência”, afirma Niemeyer. “A gente sai de uma relação transacional para uma relação emocional.”

A executiva afirma que, além da percepção de mercado, a companhia passou a receber demandas de lojistas para a implementação desta medida. A Allos também ajuda os próprios lojistas a se cadastrarem na rede social. O projeto foi desenvolvido em parceria com a Play2Shop.

A tendência é que, segundo ela, o espaço seja mais utilizado pelos pequenos empreendedores, principalmente locais, e os que não têm familiaridade com o e-commerce. Em períodos sazonais de vendas, como Páscoa e Dia das Crianças, a prioridade nos dias anteriores às datas será para lojistas que tenham mais apelo nestes períodos, como uma rede de chocolates ou uma loja de brinquedos, por exemplo.

Ana Paula Niemeyer, CMO da Allos

“Provavelmente um lojista pequeno não teria condições de fazer esta live, porque precisaria alugar estúdio, equipamento, entender como funciona e ainda contratar um influencer par ajudar”, explica.

Esse volume de lojistas menores representa a maior parte das lojas dos shoppings da Allos, tendência essa seguida em praticamente todos as unidades do Brasil. Dados da Associação Brasileira de Shoppings (Abrasce) mostra que 65% das unidades são de pequenos comerciantes.

Com mais de 68 mil m² de área bruta locável (ABL) e cerca de 420 lojas, o shopping de Salvador foi escolhido como piloto do projeto pelo grande volume de clientes que circulam em seus corredores, hoje cerca de 3,6 milhões por mês.

“A gente já percebe, mesmo tendo começado recentemente, que há uma grande visibilidade a partir da live, mesmo por quem está andando pelo shopping e olha a transmissão ao vivo. Isso já leva o cliente para a loja”, explica a CMO.

“Por isso que estamos indo para o Rio de Janeiro e São Paulo para ter praças diversas com este formato que inclui físico e digital”, conta. A Allos divulga as transmissões no TikTok Shop em seus canais de publicidade nos shoppings e nas suas redes sociais.

Segundo a CMO, a perspectiva da Allos é oferecer pelo menos oito horas de transmissões ao vivo por dia, cinco vezes por semana. Isso deve significar 40 lives por semana em cada um dos shoppings da empresa que já contar com o estúdio digital.

Ainda que esteja muito no início, a companhia entende que será possível criar métricas de sucesso das lives, com o volume de acessos, conversões de vendas, e entender o fluxo deste formato em cada corredor do shopping.

“A gente quer olhar para estes indicadores, que são muito importantes. É importante que haja um retorno para o lojista e para a Allos”, afirma. Além da Arezzo, também já fizeram transmissões via estúdio do shoppings os representantes das lojas da Live!, Acium, Casa 10, entre outros.

Ainda que o uso seja gratuito, a Allos cobra uma pequena porcentagem da venda via canal digital, como uma forma de amortizar parte dos custos e da renúncia de receita a partir da utilização de uma loja para a criação do estúdio. A empresa não revela o índice nem o investimento com o projeto.

Além dos três que serão implementados em 2026, a Allos trabalha para, gradativamente, passar a oferecer o modelo em todos os seus shoppings. “Também vamos fazer um piloto em uma cidade menor, para também entender a performance deste projeto”, explica a CMO.

No acumulado de 12 meses, as ações da Allos na B3 registram valorização de 65,8%. A companhia tem valor de mercado de R$ 16,9 bilhões.