A Sol Agora levantou R$ 600 milhões para o seu quarto FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios). Com a nova captação, a companhia chega a R$ 3 bilhões levantados desde o início da operação, há quatro anos.

Ao todo, a Sol Agora, especializada na concessão de crédito para a instalação de painéis solares, já concedeu entre R$ 2,3 bilhões e R$ 2,4 bilhões em crédito.

A oferta foi feita junto a investidores institucionais locais, sendo que R$ 75 milhões foram aportados pela própria companhia. Desse valor, metade foi alocada nas cotas mezanino e metade nas juniores, nas quais assumiu 100% das cotas.

Além do Itaú, que coordenou a oferta, e do desembolso próprio, a oferta contou com outros seis investidores institucionais, dos quais cinco já eram da base de cotistas dos FIDCs da Sol Agora. Ao todo, 29 investidores financiam a operação de crédito. A Brookfield detém 100% do capital da empresa.

A captação ocorre mesmo em um cenário desafiador para o crédito privado, com abertura de spreads e piora na rentabilidade dos fundos, o que provocou resgates ao longo do ano. Até o fim de março, somente a classe de FIDCs acumulava saída líquida superior a R$ 6 bilhões, segundo dados da Anbima.

“Tivemos que navegar nessas águas turbulentas. Mas o interesse dos investidores traduz um pouco da credibilidade e da performance dos fundos predecessores”, diz Eduardo Solamone, diretor da Sol Agora, ao NeoFeed.

Os três FIDCs anteriores receberam upgrade de rating pela Moody’s, com as cotas sêniores classificadas como AAA. “Isso assegurou que tivéssemos capital disponível para avançar com essa oferta e reduzir o nosso custo de capital, que é sempre o nosso desafio.”

Na oferta das cotas sêniores, o quarto FIDC da Sol Agora captou a um juro de CDI + 1,85%, abaixo do custo do veículo anterior, que saiu a CDI + 2,70%.

A fintech também conseguiu melhores condições no período de amortização, que terá início somente após 18 meses a partir da data do aporte, seis meses a mais do que no fundo anterior. A projeção é de que as parcelas mensais da amortização fiquem em torno de R$ 15 milhões. Com a nova captação, a empresa espera financiar até 30 mil casas ou pequenos negócios com projetos de painel solar.

Os pagamentos dos clientes da Sol Agora ao fundo, por outro lado, iniciam cerca de quatro meses após a data do empréstimo. O período de carência, segundo Solamone, representa o tempo necessário para que os painéis solares entrem em operação. O financiamento prevê entre 60 e 86 parcelas e os equipamentos de geração de energia solar como garantia.

“Assim que o equipamento entra em operação, ele começa a gerar economia na conta de luz. É essa economia que permite ao cliente começar a pagar o financiamento”, diz o diretor da companhia. Dos clientes da Sol Agora, 96% são pessoas físicas. Segundo ele, a demanda por painéis de energia solar segue alta, chegando a R$ 1,5 bilhão por mês em pedidos de crédito.

A diferença entre os dois prazos cria uma janela para que os recursos recebidos dos clientes sejam reinvestidos em novos financiamentos, aumentando o giro da carteira antes de o FIDC começar a amortizar os cotistas.

O FIDC tem prazo de nove anos, mas a expectativa é que, por volta do sexto ano, todo o capital das cotas sêniores e mezanino já tenha sido devolvido aos investidores. A partir daí, o restante da operação ficaria concentrado nas cotas juniores, assumidas pela própria Sol Agora, que absorvem primeiro eventuais perdas da carteira. A perda esperada é da ordem de 10%.

Os R$ 600 milhões não serão desembolsados de uma vez. A primeira chamada de capital será de R$ 200 milhões, e a expectativa da Sol Agora é consumir todo o compromisso até meados de novembro. Ao longo dos próximos meses, a fintech fará novas chamadas conforme a originação dos financiamentos. Todo o valor, no entanto, já foi compromissado pelos investidores.

A decisão de criar um novo veículo, em vez de fazer uma nova oferta em um FIDC já existente, também teve relação com a mudança no custo de capital. Segundo Solamone, colocar no mesmo fundo investidores remunerados a taxas diferentes poderia gerar distorções no mercado secundário e na marcação a mercado das cotas.

“Conseguimos capital mais barato e mais prazo para devolver o dinheiro para esse investidor. Essas duas alavancas são muito positivas do ponto de vista de eficiência e competitividade para a companhia”, afirma Solamone.