Após quase oito anos em cargos de direção na Ideal Axicom, Paula Nadal partiu para empreender no mundo da comunicação, criando uma agência de relações públicas que visa a trazer o trabalho de relações públicas, assessoria de imprensa e construção de reputação para a era da inteligência artificial (IA).

A Pivot Comunicação chega com a proposta de combinar metodologias consagradas de PR com tecnologia, avaliando que, atualmente, a reputação não se constrói apenas por meio de relacionamentos, mas depende também de um trabalho voltado para plataformas, algoritmos e modelos de linguagem.

“Vivemos um momento de inflexão”, diz Nadal ao NeoFeed. “A complexidade dos sistemas de comunicação mudou, e a maneira como consumimos informação mudou drasticamente. A reputação, que antes era construída a partir de uma arquitetura reputacional desenvolvida no dia a dia, seja no relacionamento com a imprensa, com canais digitais ou com influenciadores, torna-se muito mais complexa em um mundo de IA.”

Fundada em março deste ano, pouco depois de Nadal deixar a Ideal Axicom, onde passou os últimos três anos como Chief Strategy Officer Global, a Pivot já conta com oito clientes fixos, como Ânima Educação, Auren Energia e Vórtx, além de realizar projetos para outras empresas.

A nova casa conta com uma equipe sênior de profissionais, diante da avaliação de que a construção de reputação também exige o fator humano. Nadal destaca que a experiência conta muito em um momento em que o slop content — conteúdo digital de baixa qualidade e sem sentido, gerado em grande volume por IA generativa — preocupa as empresas.

Com um modelo de partnership e sem investidores externos, a Pivot conta atualmente com 15 funcionários. Vera Brandimarte, ex-diretora de redação do jornal Valor Econômico, ocupa o cargo de vice-presidente e tem a responsabilidade de estabelecer relacionamento estratégico com os principais clientes e com a imprensa.

No cargo de diretor de atendimento está Tales Ponce, ex-Ideal Axicom e FSB, que já liderou equipes responsáveis por contas como Ford, Embraer e Patria Investimentos. Thiago Campos, com 18 anos de mercado e passagens pela Ideal Axicom e Salve, é o diretor de estratégia da Pivot.

Thiago Campos, diretor de estratégia; Tales Ponce (em pé), diretor de atendimento; Paula Nadal, CEO e fundadora da Pivot Comunicação (Créditos da foto: Vivian Koblinsky)
Thiago Campos, diretor de estratégia; Tales Ponce (em pé), diretor de atendimento; Paula Nadal, CEO e fundadora da Pivot Comunicação (Créditos da foto: Vivian Koblinsky)

“A reputação vai continuar sendo uma construção humana, o que mudou é que agora ela também precisa ser compreendida pelas máquinas”, afirma Nadal. “Queremos um time com experiência e senioridade muito fortes, com ótimos relacionamentos com os grandes veículos e as principais redes de influência, e queremos somar isso à tecnologia, que nos garante escala e agilidade.”

Nadal conta que a Pivot está investindo em tecnologia, própria e de terceiros, para conseguir posicionar melhor os clientes em um momento em que a chamada Generative Engine Optimization (GEO) — prática de estruturar conteúdo digital de forma que mecanismos de busca com IA e chatbots conversacionais possam lê-lo, resumi-lo e citá-lo facilmente como fonte primária — ganha força.

Com Marcelo Dominguez, cientista de dados com 16 anos de experiência e passagens pela Edelman e pelo Grupo Burson, atendendo gigantes como Google e TikTok, na posição de head de inteligência, a Pivot desenvolveu internamente uma metodologia própria para avaliar a percepção da marca na imprensa, nas redes sociais, em sites e nos principais modelos de LLM. Chamada Aura, a ferramenta faz a varredura da marca nos diferentes ambientes.

Nadal avalia que essa estrutura e a proposta de tecnologia embarcada ajudam a diferenciar a Pivot em um mercado altamente pulverizado — levantamento feito pela Mega Brasil aponta que o País contava com cerca de 1,1 mil agências em 2024, com faturamento total da ordem de R$ 5,3 bilhões.

“Entendo que cabe mais uma agência, porque talvez nem tudo o que existe funcione para a complexidade do mundo atual”, afirma. “Digo que estamos na era da complexidade, com uma série de camadas no mercado de comunicação, e precisamos de operações que deem conta disso com agilidade.”