Gigante do setor de entretenimento na América Latina, a T4F já tem data para sair definitivamente da B3. A companhia revelou nesta segunda-feira, 29 de junho, que o leilão da oferta pública de aquisição de ações (OPA), realizada pelo fundador e controlador Fernando Luiz Alterio, será no dia 20 de julho.
No documento, ele confirma a intenção de adquirir a totalidade das ações da companhia que estão em circulação. O volume representa 3.353.850 de ações ordinárias, o que equivalente a 49,75% do capital social da empresa.
O preço por ação foi definido em R$ 5,59. Mas, segundo o próprio edital, com a atualização definida pela taxa Selic, o valor alcança R$ 5,97 por papel, com base no índice acumulado até esta segunda-feira, 29, segundo cálculo do Banco Central.
Desta forma, pelo menos até aqui, o montante representa um prêmio de 34,4% sobre o último fechamento antes do anúncio da OPA, no dia 31 de março.
Levando em conta o valor corrigido, para conseguir comprar todas as ações e conseguir fechar o capital da empresa, Alterio vai precisar investir pelo menos R$ 20 milhões.
Nas negociações, não estão incluídas as participações dos controladores da empresa, que somam 50,2%. Segundo o setor de relações com investidores da T4F, Alterio tem 35,8%; a F.A. Comércio e Participações, do próprio empresário, tem 8,7%; e a CIE Internacional S.A. de C.V., braço de investimentos internacional da mexicana Corporación Interamericana de Entretenimiento, possui participação de 5,7%.
Quando anunciou ao mercado a intenção de fechar o capital da companhia, Alterio afirmou ter tomado a decisão “tendo em vista os custos de manutenção do registro de companhia aberta”.
Também abordou “ausência de perspectivas para ampliação de liquidez dos valores mobiliários da companhia e de oportunidades de investimento por meio de emissões no mercado de capitais no Brasil no curto e médio prazos”.
A T4F é mais uma companhia que decide sair da bolsa brasileira e segue caminho recente tomado por empresas como Gol, Neonergia e Eletromídia.
Em abril, o NeoFeed revelou que, de 2023 até novembro do ano passado, 32 empresas de capital aberto deixaram a B3. Entre os motivos, estão desde aquisições, como foi o caso da Santos Brasil, comprada pela francesa CMA CGM, até a dificuldade de retorno, como apresentada pela T4F.
Desde que abriu o capital, em abril de 2011, com as ações inicialmente sendo negociadas a R$ 16, a companhia registrou desvalorização de 63% até aqui, considerando o fechamento de sexta-feira, 26 de junho, a R$ 5,90.
No primeiro trimestre de 2026, a companhia reportou receita líquida de R$ 33,1 milhões, alta de 44% sobre os R$ 23 milhões registrados no mesmo período do ano passado.
No período, a T4F informou prejuízo de R$ 4,1 milhões, uma melhora de cenário em relação ao resultado negativo de R$ 11,9 milhões dos primeiros três meses de 2025. O Ebitda foi de R$ 2,2 milhões, revertendo resultado negativo de R$ 3,4 milhões.
Segundo a companhia, no trimestre foram realizados três eventos de música ao vivo, além de espetáculos teatrais, que resultaram na venda de 53 mil ingressos, com preço médio de R$ 273.
Nesta segunda-feira, 29, por volta de 12h40, as ações acumulavam queda de 0,5% e eram negociadas a R$ 5,87. No acumulado de 2026, os papéis registram desvalorização de 3,1%. A T4F tem valor de mercado de R$ 397 milhões.