No saldo entre os fortes candidatos ao título e as costumeiras zebras, ainda é difícil prever quem estará na final da Copa do Mundo, marcada para 19 de julho, no MetLife Stadium. Mas não seria exagero cravar quem já desponta como o grande vencedor do torneio em outro campo: as marcas de artigos esportivos.

Nesse certame, em quase três semanas de competição, quem vem jogando o “fino da bola” é a Nike, cujos negócios relacionados ao torneio vêm superando, em muito, os números dos adversários. Em particular, da sua grande rival Adidas.

É o que mostram algumas estatísticas, destacadas pela Barron’s. Segundo a publicação americana, que cita um relatório da LSEG, os produtos oficiais da marca americana para a Copa registraram um salto de 28% nas vendas do início do campeonato até 22 de junho, superando a alta de 7% da Adidas no período.

Outros dados mostram como a Nike se preparou para o torneio. A empresa lançou 803 produtos para a Copa, contra 608 da rival alemã. “A linha de produtos da Nike está gerando uma demanda imediata mais forte por parte dos consumidores”, destaca um dos trechos do relatório da LSEG.

Ao mesmo tempo, a Nike não precisou oferecer descontos agressivos nesses itens para alcançar o topo das vendas, o que sugere que os consumidores estão mais do que dispostos a comprar os uniformes de seleções patrocinadas pela marca do que os da concorrência.

Na tradução dessa percepção em números, as camisetas e camisas da companhia para a Copa custam, em média, US$ 135 cada. Já os produtos da mesma categoria da Adidas estão sendo vendidos a um preço médio de US$ 95.

A LSEG ressalta ainda que, em linha com essa forte demanda, a Nike acumulou mais do que o triplo de menções em notícias e plataformas de redes sociais na comparação com a Adidas.

Entretanto, o relatório frisa que as vendas ligadas à Copa representam uma pequena fração dos negócios da Nike. A FactSet prevê que a receita total da marca na América do Norte deve chegar a US$ 5,1 bilhões no primeiro trimestre fiscal da empresa, encerrado em agosto.

O período engloba justamente a receita do torneio que, provavelmente, irá render ganhos bem menores do que a projeção total para esse exercício fiscal da companhia, que, num contexto mais amplo, vive um momento bem mais desafiador que a Adidas.

Aqui, novamente, as estatísticas entram em campo. As ações da Nike, por exemplo, perderam mais de três quartos do seu valor desde que o papel atingiu seu recorde histórico, no fim de 2021. De lá para cá, a empresa tem enfrentado a concorrência de marcas emergentes, como On, Deckers e Hoka.

Na outra ponta, a Adidas, sua rival mais conhecida e tradicional, avaliada em € 32 bilhões (cerca de US$ 36 bilhões), viu suas ações subirem 36% desde a mínima histórica registrada no fim de março. Nesse intervalo, os papéis da Nike, avaliada em US$ 60,9 bilhões, recuaram 20%.

Para analistas citados pela FactSet, nesse embate, a expectativa é de que as vendas da Adidas cresçam quase 5% neste ano, alcançando o patamar de US$ 30,3 bilhões. Já para a Nike, a estimativa é de um avanço de apenas 0,2%, para US$ 46,4 bilhões.

Enquanto trava essa disputa, a Nike está passando por mudanças constantes em seu time do alto escalão, o que reforça que a companhia realmente não está em sua melhor forma. Uma das áreas que ilustram essas movimentações é justamente aquela na qual a marca sempre se destacou: a inovação.

Em abril desse ano, Tony Bignell, que ocupava o cargo de chief innovation officer desde junho de 2025, deixou a empresa e foi substituído por Andy Caine, vice-presidente e diretor de roupas esportivas da companhia, o terceiro executivo a assumir essa posição em menos de três anos.