Após semanas de “jogo duro”, a EasyJet aceitou a mais recente proposta de aquisição feita pela Castlelake, em uma operação que pode dar um fôlego para um dos maiores nomes da aviação de baixo custo da Europa.

A companhia aérea anunciou no domingo, 5 de julho, que seu conselho de administração chegou a um acordo preliminar com a gestora americana, que propôs pagar 6,90 libras esterlinas por ação (US$ 9,21), avaliando a empresa em mais de 5 bilhões de libras esterlinas (US$ 6,7 bilhões).

No comunicado, a EasyJet afirma que, após revisar os termos da proposta, o conselho concluiu que os valores estão em um patamar no qual "estaria inclinado a recomendar a oferta aos acionistas da EasyJet, caso a empresa [Castlelake] tenha a intenção de fazê-la".

A consumação da oferta está sujeita ao cumprimento ou à renúncia, por parte da Castlelake, de uma série de pré-condições, incluindo a conclusão de uma due diligence. A gestora americana deverá apresentar a proposta final até 3 de agosto.

A notícia animou os investidores da EasyJet. Por volta das 9h21, as ações da companhia subiam 9,57%, para 6,11 libras esterlinas (US$ 8,16). No ano, os papéis acumulam alta de 19%, levando o valor de mercado da empresa a 4,6 bilhões de libras esterlinas (US$ 6,1 bilhões).

O acordo premia a insistência da Castlelake, que apresentou outras quatro propostas pela EasyJet. A gestora americana administra cerca de US$ 38 bilhões em ativos e tem experiência no arrendamento de aeronaves, mantendo inclusive uma participação de cerca de 30% na companhia aérea dinamarquesa SAS.

A Castlelake manifestou interesse pela companhia aérea pela primeira vez no fim de maio, ao apresentar uma proposta de 5,60 libras por ação (US$ 7,47). Desde então, as partes vinham travando um embate público.

A EasyJet classificou as ofertas como "altamente oportunistas", enquanto a Castlelake chegou a afirmar que o conselho da empresa demonstrou "falta de disposição para se engajar de forma significativa", a ponto de levar sua proposta diretamente aos acionistas.

No fim de junho, a EasyJet mudou o tom após receber a mais recente oferta. A empresa concedeu um prazo de nove dias, encerrado no domingo, para que a Castlelake apresentasse a proposta e tivesse acesso a parte dos dados da companhia.

Se a oferta for aceita, a Castlelake terá a missão de reposicionar a EasyJet em um ambiente competitivo, marcado por desafios econômicos e oportunidades de crescimento.

Um dos principais nomes da aviação de baixo custo da Europa, a EasyJet enfrenta dificuldades desde o fim da pandemia de Covid-19.

Desde 2021, as ações da empresa são negociadas abaixo de 7 libras esterlinas. A EasyJet estreou na Bolsa de Londres em 2000, com preço de 3,10 libras esterlinas por ação (US$ 4,13). Os papéis atingiram a máxima histórica de 15,84 libras esterlinas (US$ 21,15) no início de 2007, em meio a uma expansão agressiva pela Europa, interrompida pela pandemia.

Recentemente, a companhia sofreu com os efeitos da guerra no Irã, que fizeram os preços do querosene de aviação dispararem, pressionando os resultados. O conflito também prejudicou as reservas de passagens.

A EasyJet fechou o primeiro semestre do ano fiscal de 2026, encerrado em 31 de março, com um prejuízo operacional de 552 milhões de libras esterlinas (US$ 737,1 milhões), alta de 40,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.