No auge da euforia de 2020 e 2021, o mercado de venture capital parecia viver em um universo paralelo: valuations estratosféricos e rodadas gigantescas, frutos do excesso de liquidez da época. Era um tempo que, como disse Rodrigo Baer, naquela época à frente da estratégia de early stage do Softbank, “tinha muita gente fazendo bobagem”.
Hoje, o cenário é outro. O capital ficou mais escasso, os investidores mais criteriosos e os empreendedores mais calejados. Perguntado sobre o tema, Baer não titubeou. “Tem gente fazendo bobagem ainda, mas é muito menor”, disse Baer, hoje sócio da 14B, ao Café com Investidor, programa que é uma parceria entre NeoFeed e CNN Brasil, exibido quinzenalmente no CNN Money (assista a partir do 6:09 até 35:15).
Na visão de Baer, há, atualmente, o que ele chamou de “blocos de excessos” ligados a grandes labs de inteligência artificial. O sócio da 14B não chama esse momento de bolha, mas sim de uma “hiperexcitação do mercado”. “Tem um monte de empresa que só funciona e só cresce na velocidade que cresce, porque o pessoal de labs está gastando sem nenhuma restrição e nenhuma razoabilidade de gasto”, afirma Baer.
A bobagem também diminuiu, na visão de Baer, porque o dinheiro ficou mais caro. A farra dos cheques fáceis acabou, e isso forçou os empreendedores a voltarem ao básico: produto, cliente, tração. A inteligência artificial acelerou esse processo, permitindo que times menores entreguem mais, que protótipos sejam testados em dias - não em meses - e que o capital seja usado com parcimônia e de forma mais eficiente.
E isso, paradoxalmente, elevou o nível do jogo. Tanto que hoje a ambição das startups brasileiras passou a ser global. Essa é a tese por trás da 14B, a gestora de venture capital fundada por Baer após a cisão da Upload Ventures em três outras gestoras (a Upstream e a UPV Ventures).
Com foco em early stage, a tese é simples e direta: founders experientes, produtos originais e ambição global. O alvo são startups que desenvolvam tecnologia capaz de competir nos Estados Unidos, na Europa e onde mais houver espaço.
Essa virada não aconteceu por acaso. O Brasil passou os últimos 15 anos formando talento em massa dentro de iFood, Nubank, Stone, PagSeguro, Wildlife e tantas outras startups. São empreendedores que aprenderam a construir, escalar e operar empresas de tecnologia em ritmo global.
Agora, esse contingente volta ao mercado como founder - e com fome de conquistar o mundo. Baer enxerga esse movimento como inevitável.
Nesta entrevista, que você assiste no vídeo acima, Baer fala em detalhes sobre a tese da 14B e diz o que pensa sobre os megaIPOs de tech, como o da SpaceX (que já aconteceu) e a OpenAI e a Anthropic.