Brasília — Na iminência de o governo aumentar o percentual de biodiesel no diesel fóssil para até 17% (B17), o setor de biocombustíveis acionou uma estratégia para pressionar a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a acelerar o início dos testes para o B20 até o B25.

O NeoFeed apurou que Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) estarão em Mauá, na Grande São Paulo, na próxima segunda-feira, 13 de julho, pela manhã, visitando laboratórios do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), que está envolvido nesses testes.

Na ocasião, também vão participar da visita executivos de grandes indústrias e tradings que atuam no processamento do biodiesel no Brasil — Bunge e Cargill —, além de entidades empresariais como Ubrabio, Apeobio e Anfavea (montadoras de automóveis).

A ideia do empresariado é dar mais um “empurrãozinho” no governo com o intuito de destravar testes para aumentar mais ainda a mistura. O governo já havia sinalizado que os testes do B20 ao B25 começariam apenas a partir do ano que vem, mas as empresas querem antes, no contexto das necessidades emergenciais impostas pela guerra no Irã e consequente disparada nos preços globais do petróleo.

Uma fonte a par das negociações com o governo adiantou ao NeoFeed que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) já deverá aprovar o aumento para B16 e B17 em uma de suas próximas reuniões, entre o fim de julho e início de agosto. Resultado que o setor privado quer mostrar ao presidente Lula, como forma de provar que o país já comporta aumentos na mistura e estaria preparado para mais.

O apetite por esse aval do governo é tamanho que a indústria até já disponibilizou caminhonetes num fim de semana, no último mês, para os atuais testes (e já até protótipos de caminhões movidos a B100). Esses testes são uma exigência da Lei Combustível do Futuro, em vigor no país desde 2024.

Em maio, o MME definiu um cronograma com critérios para os testes voltados para elevar a mistura de biodiesel no diesel para até 25% (B25).

Segundo a portaria, os testes serão feitos em duas etapas: na primeira, serão avaliadas misturas entre B15 e B20 e na segunda, até B25. Estarão sob avaliação tanto motores a diesel de modelos mais recentes quanto aqueles com mais de 30 anos de uso.

Como já mostrou o NeoFeed neste ano, o setor de biodiesel desejava que o B16 já estivesse implementado no primeiro trimestre. E em função da guerra, argumentou junto ao governo que antecipasse os testes dada a capacidade da indústria de garantir produção suficiente para ampliar a participação do biodiesel para 16% ou 17% no diesel. A ofensiva, no entanto, não logrou êxito à época e a pressão segue para acelerar os testes.