Foi durante o evento South Summit Brazil, em Porto Alegre, que José Augusto Albino, sócio da Primus Ventures (antiga Catarina Capital), aproximou Ricardo Duarte, CEO da Beacon Founders, e Natan Epstein, fundador da gestora 314 Capital. Das conversas, a dupla entendeu que havia espaço para uma união.

Agora, a Beacon está incorporando a 314 Capital, em um passo estratégico para fortalecer a sua área de gestão de recursos. A transação não envolve dinheiro e é via troca de ações. Epstein vira sócio da startup e se torna o seu CIO (Chief Investment Officer).

Com a incorporação da 314 Capital pela Beacon Founders, a casa somou aos R$ 400 milhões sob gestão da gestora os R$ 140 milhões alocados nos veículos de equity pool da plataforma. A operação elevou o volume total sob gestão para R$ 650 milhões. A meta é ultrapassar R$ 1 bilhão em 2026.

A transação responde também à necessidade da Beacon, que se define como um family office para fundadores de startups, de obter uma licença de gestão de recursos credenciada pela CVM. Até agora, a atuação da Beacon estava focada na gestão de participações societárias ilíquidas e em planejamento tributário e sucessório.

"Para a gente, foi muito importante a união da visão e dos mundos do ilíquido e do líquido”, diz Duarte ao NeoFeed. "Esse lado, do ponto de vista regulatório, era crítico. A gente não faria nada nesse ramo, por questão de prudência e compliance, sem ter a gestora CVM e a capacidade de ter o mandato de gestão.”

A operação marca também a chegada de dois novos sócios: Alfredo Cunha, com passagens por BTG Pactual e Julius Baer, e Juliana Brasil, ex-BTG e Deloitte. "Eu sou uma pessoa com cabeça de líquidos, mas eu passo a ter agora uma entrada em pessoas majoritariamente ilíquidas”, afirma Epstein.

O novo sócio da Beacon criou a 314 Capital (cuja marca vai deixar de existir) em 2023, logo depois de vender a Troon, um multi family office, para a Blue3. Nesse período, criou uma gestora de recursos em que aproximadamente 60% dos clientes tinham algum viés de tecnologia.

Os sócios da Beacon (da esq. à dir.): Natan Epstein, Juliana Brasil, Alfredo Cunha e Ricardo Duarte

“São fundadores de empresas que estão no negócio ou venderam, além de C-levels de grandes empresas de tecnologia”, diz Epstein. Esse público é o foco da Beacon, que atende fundadores, investidores de venture capital e executivos do setor de tecnologia, somando mais de 250 pessoas físicas e 100 empresas na rede.

A estrutura integra gestão de investimentos, reorganização societária e suporte legal e fiscal no Brasil e no exterior. Com a incorporação da gestora, a startup pode passar a ofertar produtos do mundo “líquido”. No pipeline, estão ofertas de FIDCs e de carteira de crédito.

A Beacon também planeja um terceiro equity pool para 2027. Hoje, o modelo reúne quase 200 fundadores distribuídos em dois fundos que somam mais de R$ 140 milhões em participações societárias aportadas.

O primeiro equity pool reúne 90 fundadores de 37 startups e possui cerca de R$ 72 milhões em participações. Já o segundo contempla 94 empreendedores de 46 empresas, adicionando aproximadamente R$ 70 milhões ao modelo.

Fundada em 2023 por Duarte e Igor Piquet (Vanessa Muglia se juntou à dupla mais tarde), a Beacon reuniu um grupo bem extenso de investidores. Foram mais de 50 anjos, na ocasião.

Entre eles, Paulo Veras, fundador da 99, o primeiro unicórnio brasileiro; Marcelo Lombardo (Omie); Sergio Furio (Creditas); Tiago Dalvi (Olist); Roberto Dagnoni (2TM/Mercado Bitcoin); Ricardo Salem (Flash) e Maria Teresa Fornea (hoje à frente da Endeavor).

O fundo SaaSholic, de Diego Gomes, Gustavo Souza e William Cordeiro, liderou uma rodada de R$ 10 milhões, que contou também com o Green Rock, a gestora da família fundadora do Salomão Zoppi, e a AJL Par, de Tiago Lafer.